Adyen leva ao BC propostas para destravar o Pix Automático, que já movimenta R$ 1,68 bilhão por mês
Empresa de pagamentos quer autorizar a recorrência só com a chave Pix do cliente, cobrar sem agendar com dias de antecedência e permitir duas cobranças no mesmo mês

Fernando Ribeiro, gerente de produto da Adyen. Foto: Divulgação/Adyen
A Adyen, empresa holandesa de tecnologia de pagamentos, está levando ao Banco Central propostas para destravar o Pix Automático, a modalidade de cobrança recorrente lançada pelo BC. A avaliação foi apresentada nesta quarta-feira (21), em evento sobre o futuro do produto na sede da empresa, e publicada pelo Finsiders Brasil nesta sexta-feira (23).
Segundo dados da Adyen, o Pix Automático movimenta hoje R$ 1,68 bilhão por mês, com crescimento em todos os meses tanto em número de transações quanto em volume. O uso já passou do streaming e chegou a saúde, softwares por assinatura (SaaS), seguradoras, mercado imobiliário, concessionárias de serviços públicos e economia dos criadores de conteúdo. Mesmo assim, a empresa avalia que a adoção ainda avança devagar.
O mercado usa hoje sobretudo as jornadas 2 e 3, em que o consumidor autoriza a recorrência lendo um QR Code ou usando o Pix Copia e Cola. A jornada 1, em que a autorização chega como notificação no aplicativo do banco, ainda não é usada porque obriga a empresa a coletar banco, agência e conta do cliente. A proposta da Adyen ao BC é trocar esses dados pela chave Pix do consumidor. A jornada 4, em que o cliente faz um Pix comum e pode habilitar a recorrência no final, desperta pouco interesse por ser opcional.
A empresa também pede o fim da obrigação de agendar cada cobrança com dois a dez dias de antecedência, a possibilidade de alterar recorrências já ativas e ciclos de cobrança flexíveis. “Se um cliente hoje paga uma mensalidade e faz um upgrade de plano, por exemplo, a empresa pode precisar cobrar duas vezes no mesmo mês. Hoje, isso não é possível dentro das regras do produto”, disse Fernando Ribeiro, gerente de produto da Adyen. Para ele, combinar o Pix Automático com o Pix por Open Finance ainda agrega pouco, porque, depois da primeira autorização, basta ter saldo para os pagamentos acontecerem.
“Se um cliente hoje paga uma mensalidade e faz um upgrade de plano, a empresa pode precisar cobrar duas vezes no mesmo mês. Hoje, isso não é possível dentro das regras do produto.”
Fernando Ribeiro, gerente de produto da Adyen, segundo o Finsiders Brasil
O BC tem ampliado o produto. Em setembro de 2025, a Resolução BCB nº 505 enquadrou os débitos recorrentes no regime do Pix Automático, com prazo até janeiro deste ano. Em setembro, a Resolução BCB nº 587 passou a permitir pagamentos a partir de contas-salário.
Por que importa. Cobrança recorrente é a receita mais previsível que existe, e o Pix Automático tira o cartão de crédito do meio, com custo menor e sem cartão vencido derrubando a assinatura. Com R$ 1,68 bilhão por mês e regras ainda em ajuste, há espaço para a fintech que entregar a cobrança recorrente pronta para academias, escolas, clínicas, condomínios e softwares de nicho, cobrando por transação de quem ainda depende de boleto.
Fonte: Finsiders Brasil. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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