AmFi liquida na B3 debênture tokenizada de R$ 7 milhões com lastro em 30,6 mil créditos consignados
Operação foi registrada no CETIP21, com série sênior de R$ 5 milhões integralizada pela Polo Capital e carteira originada pela BMDC Soluções Financeiras

Paulo David (CEO) e João Pirola (CRO), da AmFi. Foto: Divulgação/AmFi (Luciano Alves)
A AmFi, plataforma de tokenização e distribuição de crédito privado, fez sua primeira liquidação financeira de debêntures tokenizadas no ambiente da B3. A operação, concluída em 4 de setembro e divulgada nesta sexta-feira (16), somou R$ 7 milhões e foi registrada no CETIP21, sistema administrado pela B3.
O lastro é uma carteira de crédito consignado originada pela BMDC Soluções Financeiras. As debêntures foram emitidas e tokenizadas na infraestrutura da própria AmFi, como nas operações anteriores da empresa. A novidade é que a estrutura passou a ter registro no CETIP21, regime fiduciário instituído perante a B3 e liquidação financeira pela infraestrutura da companhia.
A emissão foi dividida em duas séries: R$ 5 milhões na sênior, integralizada pela Polo Capital, e R$ 2 milhões na subordinada. A carteira reúne 30,6 mil ativos individuais e prevê coobrigação da BMDC, que recompra os créditos em até sete dias após o vencimento. A originadora é parceira da AmFi desde agosto de 2024 e já participou de 18 operações estruturadas pela plataforma.
Segundo João Pirola, cofundador e diretor de Receita (CRO) da AmFi, a tokenização permite representar digitalmente cada série de debêntures e acompanhar em tempo real a carteira que serve de lastro, os pagamentos e as posições dos investidores.
“A tokenização não substitui a infraestrutura de mercado: ela convive com ela e a complementa”
João Pirola, cofundador e diretor de Receita (CRO) da AmFi, ao Valor
O objetivo da integração é abrir as operações da AmFi a gestoras e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). Segundo Pirola, muitos desses investidores só podem comprar ativos registrados ou depositados em infraestruturas de mercado autorizadas, por exigência de seus regulamentos. Com o registro na B3, os custodiantes dos fundos acompanham as posições, validam preços e recebem juros e amortizações pelos procedimentos habituais de liquidação.
Por que importa. Por que importa: o gargalo de quem origina crédito é achar comprador para a carteira, e o maior comprador, o FIDC, só leva ativo registrado. Ao juntar token e registro na B3, a AmFi mostra que dá para cobrar de originadoras pequenas pela ponte até o dinheiro das gestoras, numa operação atrás da outra, como as 18 que a BMDC já fez pela plataforma.
Fonte: Valor Econômico. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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