Anbima Data abre quem está por trás dos CRIs e CRAs e mapeia 883 cedentes e devedores
Plataforma gratuita da associação passa a mostrar, por CNPJ, quem originou os créditos e quem tomou os recursos nas ofertas encerradas desde dezembro de 2025

Erika Lacreta, gerente de Mercado de Capitais da Anbima: Divulgação/Anbima
A Anbima, associação das entidades dos mercados financeiro e de capitais, passou a divulgar no Anbima Data os dados de cedentes e devedores de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), informou o UOL nesta segunda-feira (19). A plataforma é gratuita e a nova base cobre as ofertas públicas encerradas a partir de dezembro de 2025.
A base já reúne 883 participantes entre cedentes e devedores. Para cada operação, aparecem a identificação e o CNPJ do cedente ou devedor, o emissor, o código da oferta, o processo na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o código de negociação, a quantidade de séries, as datas e o valor total encerrado. Os associados da Anbima podem baixar tudo em Excel.
A segmentação mostra se o dinheiro vem da cessão de direitos creditórios ou de projetos específicos, o que permite localizar o risco econômico de cada papel e cruzar as operações pelo CNPJ. Como o mesmo CNPJ pode aparecer em várias emissões, dá para acompanhar a trajetória de captação de uma empresa no mercado de capitais ao longo do tempo.
“O acesso estruturado a essas informações amplia as possibilidades de análise do mercado de securitização. Os usuários conseguem acompanhar o histórico de captação das empresas, avaliar concentrações de exposição e entender com mais precisão quem está por trás da originação dos créditos e do uso dos recursos captados”, afirmou Erika Lacreta, gerente de Mercado de Capitais da Anbima.
“Os usuários conseguem acompanhar o histórico de captação das empresas, avaliar concentrações de exposição e entender com mais precisão quem está por trás da originação dos créditos”
Erika Lacreta, gerente de Mercado de Capitais da Anbima
Para montar a base, a associação criou um extrator automatizado que lê regulamentos e termos de securitização e estrutura dados que antes ficavam espalhados nos documentos. Os registros passam por validação de especialistas antes de ir ao ar.
A abertura chega num momento de encolhimento do mercado. Segundo o Valor Econômico (14/10), CRIs e CRAs movimentaram cerca de R$ 34,6 bilhões de janeiro a agosto de 2026, 35% menos que no mesmo período de 2025 e 48% abaixo dos R$ 66 bilhões de 2024. Parte dos recebíveis migrou para fundos. “Os recebíveis não deixaram de ser usados, mas a gente tem visto uma mudança de veículo, de securitização para fundos”, disse ao jornal Eugênia Souza, responsável pela área de negócios da Vórtx.
Por que importa. Securitização vive de saber quem está do outro lado do papel, e até agora esse dado estava enterrado em PDF. Com cedentes e devedores abertos por CNPJ, uma fintech de crédito ou de dados pode vender análise de concentração, monitoramento de risco e originação para gestoras, securitizadoras e investidores de um mercado de dezenas de bilhões por ano.
Fonte: UOL. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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