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Tokenização

Sem o Drex, Anbima reúne 51 instituições para testar tokenização de debêntures e fundos

Piloto simula o ciclo de vida completo de ativos tokenizados numa rede compartilhada, com 20 projetos selecionados; AmFi e Fintrender dizem que a iniciativa privada assumiu a dianteira, mas o setor ainda cobra regras e liquidez.

Por Redação Mundo das Fintechs · 13/10/2026 · 3 min de leitura
Sem o Drex, Anbima reúne 51 instituições para testar tokenização de debêntures e fundos

Marcelo Billi (Anbima). Foto: Reprodução/Bora Investir (B3)

A Anbima, associação das entidades do mercado financeiro e de capitais, reúne 51 instituições num piloto de tokenização que simula, em ambiente de testes, o ciclo de vida completo de debêntures e fundos de investimento, da estruturação à liquidação e ao encerramento, informou o Finsiders Brasil nesta terça-feira (13). A iniciativa avança enquanto o Banco Central não define os próximos passos do Drex, a plataforma que deveria ser a base da liquidação tokenizada no país.

Segundo a reportagem, 20 projetos foram selecionados e reúnem cerca de 50 instituições, que já passaram pelas etapas de integração e de treinamento técnico para operar na rede. Cada participante cria e testa os próprios contratos num ambiente simulado e depois migra a aplicação para a rede compartilhada, onde as interações entre as instituições são acompanhadas. O teste avalia o que pode ir para a rede sem eliminar funções como escrituração, custódia, administração, distribuição e controladoria. Um dos aprendizados é que nem todo dado precisa ficar registrado on-chain, por questões de privacidade e responsabilidade.

“Não temos conclusões. O ciclo de testes vai até outubro, e é a partir dele que vamos conseguir dizer, com evidência, quais são os resultados desse projeto”, disse Marcelo Billi, superintendente de sustentabilidade, inovação e educação da Anbima. Para ele, a tecnologia talvez seja a parte menos difícil: o desafio é construir consensos sobre responsabilidades, padrões e comunicação entre as instituições. O BC e a CVM participam do Comitê de Acompanhamento do piloto.

Para Gustavo Cunha, CEO da Fintrender.com, a ideia desde a pausa do Drex é que o governo deixe de conduzir o piloto e passe a regular. “A ideia agora é que o governo saia do piloto, saia de quem estava dirigindo para virar passageiro”, afirmou. João Pirola, diretor de receita (CRO) e fundador da AmFi, avalia que o mercado está fragmentado, com redes que não se comunicam, e que a Anbima tem porte para reunir grandes instituições em torno de padrões técnicos, contratos-padrão e governança. Ele pondera que o piloto ainda roda em ambiente fechado e não garante interoperabilidade com redes externas.

“Não é simplesmente criar um token e verificar se ele funciona. Queremos entender como seria fazer, dentro desse novo ambiente, tudo aquilo que hoje acontece no mercado tradicional.”

Marcelo Billi, superintendente de sustentabilidade, inovação e educação da Anbima

A tokenização privada já tem ofertas públicas reguladas pela CVM desde 2023, a maior parte pela Resolução CVM 88. Segundo a AmFi, a falta de clareza regulatória mantém o modelo distante de fundos e investidores institucionais e dependente de pessoas físicas, “um canal caro de escalar e atualmente dominado por poucos players”. O setor espera avanços em quatro frentes: uma norma específica para tokenização, o reconhecimento jurídico do registro on-chain, regras para operações transfronteiriças e o cronograma da duplicata escritural. A expectativa é de um novo normativo ainda este ano. Para a liquidação, stablecoins atreladas ao real podem cumprir o papel de dinheiro sem depender de uma moeda digital do BC.

Por que importa. Por que importa: tokenizar um ativo não é só emitir o token; escrituração, custódia, administração e distribuição continuam existindo e alguém cobra por cada uma. Com 51 instituições montando o padrão e uma norma esperada para este ano, a fintech que oferecer essa infraestrutura pronta, ou levar ativos tokenizados a fundos e institucionais, canal que hoje quase ninguém atende, pega um mercado ainda nascendo.

Fonte: Finsiders Brasil. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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