Aportes em fintechs caem 21% no 3º trimestre e somam US$ 10,6 bilhões; Brasil fica em 5º, com US$ 352 milhões
Número de rodadas cai para 687, o menor desde 2018 na série da Crunchbase, e o dinheiro se concentra em menos empresas, com preferência por infraestrutura, pagamentos e IA

Foto: Hamster28/Wikimedia Commons (domínio público)
O investimento de risco em fintechs no mundo somou US$ 10,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 21,4% em relação ao mesmo período de 2025 (US$ 13,5 bilhões) e de 28,4% sobre o segundo trimestre deste ano (US$ 14,9 bilhões), segundo dados da Crunchbase reunidos pela newsletter CEVIU Fintech nesta quinta-feira (22).
O número de rodadas caiu para 687, contra 789 no trimestre anterior e 995 um ano antes. É o menor patamar da série da Crunchbase, iniciada no primeiro trimestre de 2018, e a queda foi de 31% na comparação anual.
O Brasil aparece em quinto lugar entre os países, com US$ 352 milhões, ou 3,3% do total. Os Estados Unidos lideraram com US$ 5,38 bilhões (50,5%), seguidos de Singapura, Arábia Saudita e Índia.
A maior parte do recuo no trimestre veio das rodadas de US$ 100 milhões ou mais, que passaram de US$ 9,07 bilhões para US$ 5,15 bilhões, cerca de 93% da queda em dólares. No estágio inicial, os US$ 4,23 bilhões incluem uma única Série A de US$ 1,2 bilhão da Ant International, de Singapura, avaliada em US$ 11,2 bilhões após o aporte; sem ela, o estágio inicial teria caído 20,4%.
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Segundo os investidores ouvidos, o capital está indo para menos empresas e com preferência por infraestrutura, pagamentos, stablecoins e comércio feito por agentes de IA. Laura Bock, da QED Investors, citou a diferença de avaliação entre empresas de porte parecido, como Ramp e Monzo, e atribuiu o prêmio da Ramp ao avanço em IA e ao ritmo de crescimento. Kirsten Green, da Forerunner, disse que um grupo pequeno com tração clara consegue avaliações agressivas, enquanto o resto enfrenta mais disciplina.
Para uma Série A, Bock citou como referência receita que ao menos triplicou em seis meses, e Green afirmou que, nas Séries A e B, evidência pesa mais que narrativa.
Por que importa. Com menos rodadas, o dinheiro vai para quem prova receita: a fintech que cobra por infraestrutura, pagamentos ou crédito e mostra crescimento com caixa chega ao investidor com poder de negociação. E US$ 352 milhões no trimestre colocam o Brasil entre os cinco maiores destinos do mundo, sinal de que o mercado daqui segue atraindo capital mesmo na seca global.
Fonte: CEVIU Fintech (dados da Crunchbase). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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