Com 1.080 dias de prazo, BC sinaliza que vai barrar cedo as cripto sem condições, diz CEO da Cainvest
Primeiro indeferimento de uma empresa de ativos digitais saiu em 28 de setembro; para Charles Aboulafia, o teste do marco não será o número de pedidos até 30 de outubro, mas a velocidade da triagem

O Banco Central publicou no Diário Oficial, em 28 de setembro, o primeiro indeferimento de um pedido de autorização no novo regime das prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs), enquanto outras sete empresas seguiam em processo de autorização, segundo as informações públicas mais recentes. A leitura é de Charles Aboulafia, CEO do Grupo Cainvest, em artigo publicado pela Exame neste domingo (11).
O prazo para as empresas protocolarem os pedidos termina em 30 de outubro, e a análise do Banco Central pode levar até 1.080 dias. O receio do mercado era que, nesse intervalo, empresas com perfis muito diferentes ficassem indistinguíveis, todas com o mesmo status de “em processo de autorização”.
Segundo o executivo, o indeferimento sinaliza que casos com problemas evidentes serão tratados mais rápido. Ele cita a fala de André Ricardo Moncaio Zanon, chefe de subunidade do Banco Central, em webinar da ABCripto: “Se tem uma instituição que claramente o controlador não tem reputação, claramente ela não iniciou as atividades antes de 2 de fevereiro, a gente pode [...] resolver logo, para tirar logo do mercado.”
Para Aboulafia, isso muda o comportamento das empresas: protocolar deixa de ser o ponto de chegada e passa a ser o início de uma etapa em que a consistência do pedido é observada desde o primeiro momento. “O primeiro indeferimento já mostra que a fila não oferece proteção indistinta: permanecer em análise não garante, por si só, a continuidade do processo”, escreveu.
“O primeiro indeferimento já mostra que a fila não oferece proteção indistinta”
Charles Aboulafia, CEO do Grupo Cainvest, em artigo na Exame
Na avaliação dele, o verdadeiro teste do marco regulatório não será o número de pedidos protocolados até 30 de outubro, mas a velocidade com que o Banco Central conseguirá separar os casos que devem seguir com o status provisório daqueles que não deveriam continuar na fila.
Por que importa. Com o Banco Central limpando a fila das cripto sem condições, sobra mercado para quem chega com capital e governança em ordem. Para quem tem ou quer ter fintech, oferecer compra, venda e custódia de cripto dentro do próprio app, apoiado num parceiro já autorizado, vira uma receita nova com cliente que confia mais no setor.
Fonte: Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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