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COBRANÇA

Belvo aposta em cobrar quando o dinheiro cai na conta, com inadimplência recorde de 5,04% e Pix Automático triplicando

Via Open Finance, plataforma acompanha o saldo do devedor e cobra na hora em que ele entra; Pluggy, Iniciador, Celcoin, Transfeera e Kobana disputam o mesmo mercado com a agenda fixa do Pix Automático

Por Redação Mundo das Fintechs · 16/10/2026 · 3 min de leitura
Belvo aposta em cobrar quando o dinheiro cai na conta, com inadimplência recorde de 5,04% e Pix Automático triplicando

Pablo Viguera (cofundador e co-CEO da Belvo) e Uri Tintoré. Foto: Divulgação/Belvo

A inadimplência do crédito no Brasil chegou a 5,04% em agosto, o maior nível da série do Banco Central iniciada em 2011. O indicador mede a fatia da carteira do sistema financeiro com atraso acima de 90 dias e estava em 4,14% um ano antes. Enquanto isso, o Pix Automático, a modalidade de cobrança recorrente do Pix, saiu de 2,87 milhões de transações em maio para 8,92 milhões em setembro, segundo os dados abertos do BC.

Os dois números contam a mesma história: com mais gente atrasando, credores procuram formas de receber que não dependam de o devedor lembrar do boleto. Pela Serasa, eram 83,98 milhões de brasileiros com contas em atraso em agosto, alta de 0,06% sobre julho.

É nesse cenário que a Belvo, plataforma de dados e pagamentos via Open Finance que atua no Brasil e no México, divulga a Cobrança Inteligente, produto apresentado em seu blog em 22 de maio. A proposta é inverter a régua: em vez de cobrar no dia 5, depois no 15 e no 30, o motor acompanha o saldo da conta que o cliente conectou e dispara o pagamento quando o dinheiro entra. Se a parcela é de R$ 100 e há R$ 30, cobra os R$ 30 e espera o resto.

A execução roda sobre o Transferências Inteligentes, produto da Belvo que usa o sweeping do Open Finance. Há um detalhe importante: segundo a própria empresa, o dinheiro “só se move entre contas do mesmo CPF”. Ou seja, a cobrança funciona quando o tomador tem conta no credor (caso comum em fintechs de crédito com conta digital) ou numa estrutura equivalente. A Belvo não informa como o modelo se aplica a credores que não têm a conta do cliente.

“Na maior parte das vezes, as pessoas genuinamente querem pagar, e o que falta não é intenção, é a combinação de ter saldo no momento certo”

Belvo, no site da empresa

Os concorrentes apostam no outro trilho. Pluggy, Iniciador, Celcoin, Transfeera e Kobana oferecem o Pix Automático, em que o pagador autoriza o débito para um recebedor diferente, numa data combinada e com retentativas previstas pelas regras do BC. É o “débito automático” que qualquer empresa pode contratar sem convênio com cada banco. A diferença de fundo: o Pix Automático cobra numa data; a Belvo cobra quando há saldo.

O crescimento do Pix Automático tem um traço curioso: o valor por transação caiu de cerca de R$ 422 em maio para R$ 188 em setembro, sinal de que a modalidade está chegando a contas pequenas e recorrentes, como assinaturas, mensalidades e parcelas. Em valor, foram R$ 1,68 bilhão em setembro.

A Belvo não divulga quantos credores usam a Cobrança Inteligente nem a taxa de recuperação obtida. A empresa diz ter mais de 19 milhões de consentimentos de Open Finance acumulados em sete anos.

Por que importa. Por que importa: com recorde de atraso, cada ponto de recuperação vale dinheiro, e a cobrança deixou de ser só call center e assessoria. A fintech que domina o trilho, seja Pix Automático ou leitura de saldo via Open Finance, pode cobrar por transação recuperada de financeiras, varejistas e escolas que não querem montar isso em casa.

Fonte: Banco Central (série 21082 e Estatísticas do Pix), Serasa e Belvo. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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