Cashin, de Luciana Ramos e Nani Gordon, passa de R$ 1 bilhão em prêmios pagos por Pix e prepara Série A de até R$ 20 milhões
Startup troca vale-compras e viagem por dinheiro na conta do vendedor, movimentou R$ 250 milhões em 2025 (+66,6%) e cobra de 5% a 15% sobre as premiações

Luciana Ramos e Nani Gordon, fundadoras da Cashin. Foto: Reprodução/Exame
A Cashin, startup que administra campanhas de incentivo e paga prêmios a vendedores, já acumula mais de R$ 1 bilhão em transações desde o início da operação e prepara uma rodada Série A entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, segundo reportagem da Exame publicada neste sábado (24). A empresa contratou a ACE Advisors para conduzir a captação.
Em 2025, a Cashin movimentou R$ 250 milhões, alta de 66,6% sobre o ano anterior. A receita contábil auditada subiu 57,4%, de R$ 2,9 milhões para R$ 4,6 milhões, e o faturamento bruto global passou de R$ 13 milhões em 2024 para R$ 15 milhões, com expectativa de até R$ 19 milhões em 2026. A plataforma tem 250 mil usuários ativos e, segundo a empresa, já atingiu o equilíbrio financeiro. A meta é dobrar o faturamento bruto em 2027.
Fundada em 2018 pelas executivas do varejo Luciana Ramos, hoje CEO, e Nani Gordon, vice-presidente, a Cashin substitui vales em papel, planilhas e cartões-presente por saldo que o vendedor pode transferir por Pix ou TED, usar para pagar boletos, gastar com cartão físico ou virtual, QR Code ou trocar por cartões-presente de mais de 100 parceiros, como a Shopee, além do marketplace da Vertem. Luciana passou por M5 (dona da M.Officer), C&A e Riachuelo; Nani foi diretora de produto da M5.
“Enquanto os bancos legados apostavam no visual clínico e corporativo, nós viemos do varejo com uma interface colorida e simples”, disse Nani Gordon.
“Enquanto os bancos legados apostavam no visual clínico e corporativo, nós viemos do varejo com uma interface colorida e simples.”
Nani Gordon, vice-presidente e cofundadora da Cashin
A receita vem do licenciamento do sistema (Cashin Engaje e projetos sob medida), de uma taxa sobre as premiações, historicamente entre 5% e 15%, e de comissões de parceiros. A empresa também paga reembolsos e despesas corporativas por Pix em lote e criou uma solução para dividir comissões imobiliárias entre corretores, nascida de um piloto com o Grupo Marquise por iniciativa da sócia e investidora Carla Pontes.
A startup começou com recursos próprios e depois recebeu um aporte de R$ 7 milhões liderado pela Bertha Capital/Thales e pelo fundo WE Impact, voltado a negócios liderados por mulheres. Com a nova rodada, quer lançar uma ferramenta que combina cinco modelos de inteligência artificial para acompanhar as vendas das campanhas em tempo real, hoje um cálculo que pode levar 30 dias após o fim da campanha.
Num estudo com 171 mil premiações pagas entre janeiro e agosto de 2026 (R$ 89,4 milhões), a Cashin viu que a maioria prefere dinheiro: 51,1% dos valores da Geração Z e 57,6% dos Millennials foram resgatados por Pix ou TED.
Por que importa. Toda indústria gasta com campanha de incentivo para vendedor e ainda paga isso com vale e planilha. Quem transforma esse prêmio em saldo de conta digital cobra taxa sobre cada real que passa, de 5% a 15% no caso da Cashin, e ainda vende o software. É um nicho de pagamentos B2B pouco disputado, e dá para chegar a R$ 1 bilhão movimentado com uma operação enxuta.
Fonte: Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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