Consignado privado cresce 276% em um ano e chega a R$ 140 bilhões, com FIDCs de olho no spread
Para Igor Sartor, CEO da CredSpot, o produto tem o maior potencial de escala do crédito no país, mas o teto de juros derrubou as concessões em 29% e a inadimplência acima de 90 dias chegou a 7,91%.

Igor Sartor, cofundador e CEO da CredSpot. Foto: Divulgação/CredSpot
O estoque do crédito consignado privado saltou de R$ 41,9 bilhões para R$ 140 bilhões em pouco mais de um ano, e as concessões cresceram 276% em 12 meses, segundo dados apresentados por Igor Sartor, cofundador e CEO da CredSpot, fintech de consignado para trabalhadores com carteira assinada, em artigo divulgado nesta sexta-feira (9).
O Brasil tem mais de 39 milhões de trabalhadores com carteira assinada, mas a penetração do produto está abaixo de 20%, segundo o executivo. O consignado para servidores públicos movimenta cerca de R$ 390 bilhões.
A virada veio com o Crédito do Trabalhador, lançado em março de 2025, que centralizou a averbação no eSocial e passou a levar propostas de várias instituições à Carteira de Trabalho Digital. Antes, cada instituição precisava de convênio com cada empregador. “O trabalhador passou a autorizar o compartilhamento dos próprios dados e a receber ofertas concorrentes pelo crédito”, diz Sartor.
Com a concorrência, a taxa média caiu para a faixa de 3,2% a 3,4% ao mês, contra mais de 6% do crédito pessoal sem consignação. Em abril de 2026 entrou em vigor o teto de juros, próximo de 4,98% ao mês. As concessões caíram de R$ 10,6 bilhões em março para R$ 7,7 bilhões em maio, queda de 29%, enquanto a taxa média recuou só de 3,82% para 3,67% ao mês. “A redução de preço obtida foi marginal, enquanto a contração de volume foi expressiva”, afirma o CEO.
“O consignado privado é, sem dúvida, o benefício com maior potencial de escala do mercado brasileiro nos próximos anos.”
Igor Sartor, cofundador e CEO da CredSpot
A inadimplência acima de 90 dias chegou a 7,91% em maio, contra 4,7% do sistema financeiro. Com a Selic a 14% ao ano, um FIDC lastreado em consignado pode pagar spread de 0,8% a 1%, contra 0,5% a 0,6% de uma debênture de prazo parecido, segundo os dados de Sartor. “Comprimir a taxa sem reduzir simultaneamente a perda esperada tende a estreitar a base de investidores dispostos a financiar o produto”, diz ele.
Por que importa. O consignado CLT tem 39 milhões de clientes possíveis, menos de 20% atendidos e FIDCs pagando mais spread que debênture para financiar a carteira. Com o leilão da Carteira de Trabalho Digital, a fintech não precisa mais de convênio com cada empresa: quem souber precificar o risco do trabalhador e do empregador melhor que o banco ganha o cliente que os outros recusam.
Fonte: Estadão Blue Studio (conteúdo da CredSpot). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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