DominiPay, que mira R$ 100 milhões movimentados em 2026, lança carteira cripto de autocustódia com saída para Pix
Fintech diz que não terá acesso às chaves dos clientes; lançamento chega a dez dias do prazo do Banco Central para as prestadoras de ativos virtuais pedirem autorização

Leonardo Maximiliano, CEO da DominiPay. Foto: DominiPay/Divulgação
A DominiPay, startup brasileira de infraestrutura de pagamentos que conecta o Pix a ativos digitais, lançou nesta terça-feira (20) sua primeira carteira de criptomoedas não custodial, integrada ao aplicativo da empresa. Na autocustódia, as chaves privadas ficam com o próprio usuário, e a empresa afirma que não poderá acessar nem movimentar os ativos guardados.
A carteira aceita as redes Bitcoin, Solana, Tron e Polygon, permite enviar e receber ativos digitais, consultar o histórico das transações e usar uma função de saída para Pix pela rede Polygon. O acesso é feito por uma frase secreta de recuperação, guardada pelo titular: quem perder a frase e não tiver outro meio válido de acesso pode perder os ativos para sempre. Segundo o BitNotícias, o comunicado não detalhou qual instituição fará a eventual conversão dos ativos em reais.
“Estamos acrescentando uma nova possibilidade à experiência financeira. O usuário pode continuar utilizando Pix e outras estruturas tradicionais, mas passa também a ter a opção de manter determinados ativos diretamente sob seu controle. É uma evolução da infraestrutura, não uma substituição dos modelos que já existem”, afirmou Leonardo Maximiliano, CEO da DominiPay.
O lançamento acontece às vésperas de 30 de outubro, prazo dado pelo Banco Central para que as prestadoras de serviços de ativos virtuais já em funcionamento entreguem a documentação da primeira fase do pedido de autorização. A Lei 14.478/2022 exige licença de quem compra, vende, troca, transfere ou guarda criptomoedas em nome de terceiros. Uma carteira em que o próprio usuário controla as chaves, sem intermediação, não exige licença por si só, mas serviços como compra, venda e conversão para reais podem exigir, mesmo quando o cliente mantém as chaves.
“Autocustódia muda a lógica porque separa a infraestrutura tecnológica da posse dos ativos. A plataforma viabiliza a operação, mas a decisão e o controle permanecem com o usuário.”
Leonardo Maximiliano, CEO da DominiPay, ao BitNotícias
A DominiPay se apresenta como provedora de tecnologia e agregadora de infraestrutura, não como banco: serviços regulados como contas, liquidação e câmbio ficam com instituições licenciadas parceiras. Em setembro, a empresa informou ao Times Brasil que movimentou R$ 21 milhões no primeiro semestre de 2026, 5,6 vezes o volume de todo o ano de 2025 (R$ 3,75 milhões), e que projeta chegar a R$ 100 milhões até dezembro, cerca de 26 vezes o ano anterior, sem nova rodada de investimento. A startup já opera no Paraguai e planeja levar a plataforma a outros países da América Latina a partir de 2027.
Por que importa. O prazo do Banco Central vai separar quem custodia cripto, e precisa de licença e capital, de quem só fornece a tecnologia. A fintech que monta a carteira em que o cliente guarda as próprias chaves e cobra pela ponte com o Pix, deixando câmbio e liquidação com um parceiro licenciado, entra num mercado que cresce rápido sem carregar o custo regulatório de uma corretora.
Fonte: BitNotícias. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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