Duplicata escritural traz 8 riscos operacionais, aponta estudo da V360
Mapeamento feito em operação real mostra pagamento em duplicidade e nota cancelada; para 86% de 355 profissionais fiscais, nota leva mais de dez dias para entrar no ERP

Izaias Miguel, co-CEO da V360. Foto: Divulgação/V360
Um mapeamento da V360, empresa de tecnologia de automação de processos fiscais e financeiros, identificou oito tipos de riscos operacionais na implantação da duplicata escritural, segundo a Capital Aberto, que obteve o estudo com exclusividade nesta quarta-feira (14). Entre eles estão pagamentos em duplicidade, divergências de valor e de titularidade e obrigações ligadas a notas fiscais canceladas.
O levantamento partiu de uma operação real e acompanhou a circulação das duplicatas por cinco áreas. Além dos oito riscos, encontrou seis modalidades de divergência, oito categorias de exceção e sete tipos de intervenção humana. Em alguns casos, a confirmação física do recebimento da mercadoria levou de 30 a 90 dias, mais que a janela de dez dias para manifestação considerada na análise. Izaias Miguel, co-CEO da V360, ressalta que o trabalho não tem caráter estatístico.
Outra pesquisa da empresa, com 355 profissionais da área fiscal de grandes companhias, mostrou que para 86% deles a nota fiscal leva mais de dez dias entre a emissão e a entrada no ERP. “Esses problemas já existiam. A diferença é que, antes, a empresa tinha até a data do pagamento para corrigir. Agora, ela precisa resolver tudo dentro do prazo de manifestação”, afirma Miguel. Segundo ele, se o fornecedor cedeu o título a um terceiro e o comprador não registrou a recusa no prazo, pode haver cobrança integral mesmo com a entrega pendente.
Ana Cecília Peron, especialista em duplicatas da Monkey, fintech de antecipação de recebíveis que conecta empresas, fornecedores e instituições financeiras, diz que os clientes da companhia enfrentam descompassos parecidos. “Apesar da regulamentação estabelecer dez dias corridos para recusa e 15 para um aceite expresso, os processos internos de conferência de nota, recebimento de mercadoria e validações comerciais ainda operam em ciclos bem mais longos”, afirma. Para ela, a liquidação dos títulos é uma das principais dificuldades, e integrar os sistemas das empresas aos ambientes de duplicatas é parte da solução.
“Esses problemas já existiam. A diferença é que, antes, a empresa tinha até a data do pagamento para corrigir. Agora, ela precisa resolver tudo dentro do prazo de manifestação.”
Izaias Miguel, co-CEO da V360
Marcel Mattos de Oliveira, advogado associado do Briganti Advogados, pondera que nem toda duplicata escritural está sujeita a um prazo geral de dez dias para contestação e que “o silêncio não equivale a aceite expresso”. Para ele, a duplicata escritural exige uma mudança de processo dentro das empresas, porque a velocidade de circulação do crédito passa a exigir conferência e decisão igualmente rápidas.
Por que importa. Por que importa: a duplicata escritural acelera a circulação de recebíveis, mas abre um vão entre a nota fiscal, a entrega e o pagamento. Quem fecha esse vão vende para os dois lados: software de conciliação para as empresas e dado confiável para fundos e financiadoras. Para uma fintech de antecipação ou de infraestrutura de crédito, automatizar a checagem do título dentro do prazo é receita recorrente e menos risco na carteira.
Fonte: Capital Aberto. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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