Da Brex à SellersFi: Endeavor mapeia mais de 200 brasileiros de tecnologia nos EUA, 49% dos empreendedores com IA no centro do negócio
Estudo Brazil Tech Diaspora in the United States mostra que 39% estão na Califórnia e que serviços financeiros são o segundo setor mais comum entre as empresas tocadas por brasileiros

A Brex, fintech de cartão corporativo e gestão de despesas fundada por Henrique Dubugras e Pedro Franceschi e vendida à Capital One por US$ 5,15 bilhões, é o caso mais vistoso de um movimento que a Endeavor Brasil decidiu medir. O estudo Brazil Tech Diaspora in the United States, publicado pela organização em abril, mapeou mais de 200 brasileiros que vivem nos Estados Unidos à frente de negócios de tecnologia, entre empreendedores, executivos e investidores. Mais de 140 deles são empreendedores.
A Califórnia concentra 39% dos mapeados, seguida por Flórida (24%), Nova York (13%), Massachusetts (4%) e Geórgia (4%). Segundo a Endeavor, 49% dos empreendedores brasileiros nos EUA têm inteligência artificial no centro do negócio, e 46% desses estão na Califórnia. O pano de fundo, de acordo com o estudo, é a volta do capital de risco aos EUA: 79% dos US$ 159 bilhões investidos em empresas de IA em 2025 foram para companhias americanas, segundo a Crunchbase.
As finanças aparecem logo depois do software corporativo. Segundo os dados do estudo publicados pelo NeoFeed, 48,1% das empresas tocadas por brasileiros nos EUA são de software e serviços empresariais e 18,5% de software e serviços financeiros. Um dos exemplos citados é a SellersFi, fintech de crédito para vendedores de comércio eletrônico fundada em 2017 por Ricardo Pero, Alessandro Novaes e Fabio Knijnik, que já captou mais de US$ 400 milhões entre equity e dívida. “A indústria de fintech e a infraestrutura bancária no Brasil é muito mais avançada”, disse Maria Teresa Fornea, diretora-geral da Endeavor Brasil, ao NeoFeed.
O estudo também lista fundadores de empresas de IA no Vale do Silício, como Zeno Rocha (Resend), João (Joe) Moura (CrewAI), Gabriel Bayomi (Openlayer), José André Nunes (Vetto AI) e Alexandre Hadade (Birdie), além de Geraldo Ramos (Music.AI). Em Nova York, traz os relatos de Cesar Carvalho, fundador e CEO da Wellhub, e Mariano Gomide, cofundador e CEO da VTEX. “Não acredito no argumento de que o Brasil precisa ser conquistado primeiro”, diz Gomide no estudo.
“A dinâmica da IA possibilita ser mais rápido, mais leve em número de pessoas e mais barato na hora de empreender e crescer.”
Maria Teresa Fornea, diretora-geral da Endeavor Brasil (ao NeoFeed)
O dinheiro, porém, se concentra em poucos. Entre as empresas mapeadas, a média captada é de US$ 218 milhões, mas a mediana fica em US$ 25 milhões, puxada para cima por casos como Brex, Wellhub, VTEX, YipitData e SellersFi. Segundo o NeoFeed, 32,9% das captações são de pré-seed e 24,2% de Série A. O levantamento foi feito pela Endeavor Brasil a partir de dados públicos e entrevistas com empreendedores da diáspora.
Por que importa. A infraestrutura financeira brasileira (Pix, open finance, crédito digital) é vista lá fora como mais avançada, e por isso serviços financeiros já são o segundo setor dos brasileiros nos EUA. Quem monta fintech aqui está treinando num dos mercados mais sofisticados do mundo: a Brex virou US$ 5,15 bilhões e a SellersFi captou mais de US$ 400 milhões levando esse know-how para fora, e a IA deixou mais barato fazer o mesmo caminho.
Fonte: Endeavor Brasil (estudo Brazil Tech Diaspora in the United States, abril/2026) e NeoFeed. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
As notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- TOKENIZAÇÃO
Anbima entra no grupo de tokenização da CVM, que testa 5 etapas da vida de ativos imobiliários em blockchain
Da emissão à liquidação, o objetivo é ver se a tecnologia corta custos e se as regras do mercado de capitais precisam mudar

- PARCERIA
Husky, da Nomad, passa a vender plano de saúde da Company Hero a PJs que recebem do exterior, com até 40% de economia
Fintech de pagamentos internacionais distribui seguros e saúde para sua base; cliente recebe 60% da 1ª mensalidade de volta por Pix

- SEGUROS
Inter paga R$ 409,5 milhões à Wiz e fica com 100% da Inter Seguros
Banco compra os 39,75% que a corretora tinha desde 2019, quando pagou R$ 114 milhões por 40% da seguradora

- SECURITIZAÇÃO
CVM suspende oferta de CRIs da B.SEC em 6 séries e dá 30 dias para corrigir documentos
Quarta emissão da securitizadora foi registrada em 1º de outubro pelo rito automático; se as falhas não forem sanadas até 18 de novembro, a oferta pode ser cancelada

