FIDCs captam R$ 56 bilhões em 2026, mas fora do eixo Rio-SP a demanda por emissões ainda supera a oferta
Patrimônio dos fundos de recebíveis chegou a R$ 819 bilhões em setembro; gestores do Nordeste e do Sul dizem que falta aproximar quem origina, quem estrutura e quem investe.

Josemar Rolim/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0
Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) captaram R$ 56 bilhões até setembro, a segunda maior captação entre as classes de fundos, atrás apenas da renda fixa, segundo reportagem da Exame publicada nesta sexta-feira (9). O patrimônio líquido da classe chegou a R$ 819 bilhões em setembro, alta de 9%, e o número de fundos abertos passou de 3.785 para 4.270, crescimento de cerca de 13%.
O mercado segue concentrado no Sudeste. Um levantamento do Grupo IOX com três dos seus 10 FIDCs mostra que a região responde por 74,1% do volume financeiro da carteira analisada, e São Paulo sozinho por 62,5%. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul (9,8%) e Pernambuco (5,7%). “É natural que a maior parte dos recebíveis e do volume transacionado se concentre nessa região”, diz Rafael Cunha Andrade, diretor executivo de crédito da SRM.
Para Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, empresas fora dos grandes centros podem ter bons fundamentos e geração de caixa, mas ficaram historicamente mais dependentes do relacionamento com o banco local. Jonatas Ortega, diretor do Grupo CVPAR, que atua em Fortaleza e origina a maior parte dos créditos no Nordeste, afirma que na região a demanda por emissões é bem maior que a oferta.
Marcelo Marques Pacheco, CEO da Yards Asset, liga a lacuna ao fechamento de agências: sem o gerente que conhecia o comércio local, a concessão de crédito passou para a sede dos bancos e virou estatística. Ele cita gerentes que deixaram os bancos, abriram empresas que compram direitos creditórios para atender clientes que já conheciam e depois transformaram essas estruturas em FIDCs.
“O que falta é aproximar quem origina de quem estrutura e de quem investe”
Jonatas Ortega, diretor do Grupo CVPAR
Os gestores divergem sobre a necessidade de presença física. Daniel Castro, CEO da Inter Asset, diz que investir em outra região exige conhecer a dinâmica local de cobrança e de crédito, e que a gestora busca “aquele bom operador regional”. Já Andrade, da SRM, avalia que, com análise orientada a dados e esteiras remotas de monitoramento, a barreira geográfica foi praticamente superada para empresas com faturamento consistente e governança mínima.
Por que importa. Onde o banco fechou a agência sobrou cliente com recebível bom e sem crédito. A fintech que origina esses recebíveis no interior, organiza a documentação e entrega a carteira pronta para um FIDC ganha nas duas pontas: na taxa de originação e na gestão do fundo.
Fonte: Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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