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FIDC

Fim das bets ameaça garantia de R$ 678 milhões da Superbet no FIDC do São Paulo, gerido pela Galapagos

Parcelas do patrocínio máster servem de garantia ao fundo de recebíveis do clube; investidores seniores ainda têm cerca de R$ 86 milhões a receber.

Por Redação Mundo das Fintechs · 10/10/2026 · 3 min de leitura
Fim das bets ameaça garantia de R$ 678 milhões da Superbet no FIDC do São Paulo, gerido pela Galapagos

Rubens Chiri/São Paulo FC

A medida provisória publicada em 25 de setembro, que proíbe as casas de apostas e seus patrocínios no Brasil, atingiu o fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) criado pelo São Paulo Futebol Clube em 2024, segundo reportagem do InfoMoney publicada nesta sexta-feira (9). Parcelas futuras do contrato com a Superbet, maior acordo comercial do clube, servem de garantia ao fundo, que é gerido pela Galapagos Capital, com a Outfield Ventures como cogestora.

O contrato com a Superbet, renovado até 2030, prevê R$ 678 milhões em valores fixos, dos quais R$ 95 milhões em 2026. Em novembro de 2024, segundo relatório da Austin Rating, 64,8% da carteira do fundo eram recebíveis da empresa. Em abril de 2025, a rescisão com outra patrocinadora, a Viva Sorte, obrigou o clube a repor os recebíveis perdidos, o que ele fez com parcelas futuras da Superbet na forma de garantia.

Para manter o contrato vivo, clube e patrocinadora trocaram a marca: na quarta-feira (7), contra o Cruzeiro, o São Paulo entrou em campo com o nome da Superscore, plataforma de estatísticas do grupo Superbet. As plataformas de apostas foram desligadas em 5 de outubro, e as autorizações serão extintas no dia 25. O STF analisa pedidos para suspender a MP, e o Congresso tem até 120 dias para votá-la.

O fundo compra recebíveis do clube, como patrocínios, direitos de transmissão e mensalidades de sócios. Nas cotas seniores, investidores profissionais têm remuneração-alvo de CDI + 5% ao ano; o clube fica com as cotas subordinadas, que absorvem as primeiras perdas. Em agosto, o fundo tinha patrimônio de R$ 149,7 milhões. Pelo informe daquele mês, os seniores ainda tinham cerca de R$ 86 milhões a receber, protegidos por R$ 63,7 milhões em cotas subordinadas. Em julho, receberam R$ 18,2 milhões.

“Como o contrato prevê rescisão sem multa em caso de impedimento regulatório, praticamente todo o risco recai sobre o clube”

Roberto Bento Nejar, sócio da UNK Advogados

Por ora, não há perdas: o informe de agosto entregue à CVM, anterior à MP, não registra atrasos. Se o patrocínio cair, o clube terá de oferecer outra garantia; se não o fizer, fica sujeito ao vencimento antecipado da dívida. O regulamento prevê Eventos de Avaliação, como a falta de substituição de recebíveis de contratos rescindidos, e a assembleia, sem o voto do São Paulo e com 60% das cotas, pode decidir pela liquidação antecipada.

Repor a garantia não é simples. A Superbet pagou cerca de R$ 80 milhões ao clube em 2025. “Eu não acho que o São Paulo vai fazer 100 milhões com nenhum patrocínio”, afirma Amir Somoggi, sócio da Sports Value. Em 30 de setembro, o Conselho Deliberativo aprovou uma operação de R$ 140 milhões com a Ticketmaster, e em dezembro termina o contrato de naming rights do estádio com a Mondelez, que rende R$ 25 milhões por ano.

“Adiar um pagamento que continua devido é diferente de suspender o próprio direito de receber”, diz Fernando Moura, sócio do CorpServices Group. Procurados pelo InfoMoney, São Paulo FC e Galapagos não quiseram comentar.

Por que importa. Antecipar recebíveis de clubes de futebol virou um mercado de centenas de milhões, e o caso do São Paulo mostra onde está o dinheiro: em quem mede bem o risco de concentração. A fintech ou gestora que monitorar em tempo real cada fonte de receita e cada garantia de um FIDC, e avisar antes de o problema estourar, tem um produto que gestoras e investidores vão pagar para usar.

Fonte: InfoMoney. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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