113 FIDCs têm R$ 4,4 bilhões expostos a cedentes em recuperação judicial, aponta Clube FIDC
Exposição equivale a 27% do patrimônio dos fundos envolvidos; em 20 deles, a fatia do cedente em RJ passa de 50% da carteira.

Divulgação
Ao menos 113 fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) tinham um ou mais cedentes em recuperação judicial no informe mais recente, segundo levantamento do Clube FIDC publicado pela Capital Aberto nesta segunda-feira (12). O estudo cruzou os cedentes informados pelos fundos com o cadastro da Receita Federal e encontrou 111 empresas e 135 pares fundo-cedente, com exposição somada de R$ 4,4 bilhões.
“Os fundos envolvidos têm patrimônio conjunto de R$ 16,4 bilhões, e a exposição a cedentes em RJ equivale a 27% desse PL”, afirma Alexi Vasconcellos, CEO e cofundador do Clube FIDC. Em 42 fundos a exposição é igual ou superior a 20% do patrimônio, e em 20 deles passa de 50%.
O alerta mais forte está em 34 pares, em que a recuperação tem até dois anos e o cedente já estava no fundo quando o pedido saiu, com exposição de R$ 768 milhões. Nesse grupo estão nomes como Estok (dona da Tok&Stok), Casa & Vídeo, Bombril e SAF Botafogo. A Estok, com RJ anotada na Receita em junho, representa 99,7% de um FIDC de R$ 150 milhões.
O histórico mostra que a recuperação do cedente raramente derruba o fundo, mas pesa: nos 152 pares em que o cedente estava ativo na data da RJ, o patrimônio cresceu 6,4% em 12 meses (mediana), contra 15,5% nas janelas normais das mesmas carteiras. Quedas de patrimônio acima de 25% ocorreram em 24% dos casos, contra 15% no padrão.
“Os fundos envolvidos têm patrimônio conjunto de R$ 16,4 bilhões, e a exposição a cedentes em RJ equivale a 27% desse PL”
Alexi Vasconcellos, CEO e cofundador do Clube FIDC
Os dois casos mais recentes ainda estão fora da base. No informe de julho, 10 FIDCs tinham a Casas Bahia como cedente, com exposição de R$ 1,85 bilhão, e outros três somavam R$ 1,47 bilhão em recebíveis da Braskem. O estudo também aponta um ponto cego: os informes à CVM listam só os maiores cedentes de cada fundo, e por isso microempresas e produtores do agro em recuperação quase não aparecem. A indústria de FIDCs já passa de R$ 1 trilhão.
Por que importa. Com uma indústria de mais de R$ 1 trilhão e risco que só aparece tarde no registro oficial, monitorar cedentes virou serviço que gestora, administradora e cotista pagam para ter. A fintech que cruza dados públicos, judiciais e de carteira e entrega o alerta antes vende assinatura recorrente para um mercado que cresce todo mês.
Fonte: Capital Aberto (levantamento do Clube FIDC). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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