FIDCs captam R$ 30,6 bilhões no semestre, 1 em cada 6 reais da indústria de fundos, e passam a disputar investidor com rating
Com mais fundos de direitos creditórios buscando recursos, a nota de crédito vira critério de escolha; FIDC da Intra Asset recebeu brAA- (sf) preliminar da S&P

Valdir Piran Junior, CEO da Intra. Foto: Divulgação/Intra
Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) encerraram o primeiro semestre de 2026 com captação líquida de R$ 30,6 bilhões, o equivalente a cerca de 1 em cada 6 reais que entraram em toda a indústria brasileira de fundos no período, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (15) pelo portal Acionista.
A indústria captou R$ 184,7 bilhões de janeiro a junho. Somados aos Fundos de Investimento em Participações (FIPs), os FIDCs movimentaram R$ 62,7 bilhões, pouco mais de um terço das entradas líquidas. Com os Fiagros, os três veículos ligados ao financiamento da economia real chegam a R$ 67,8 bilhões. Os FIDCs sozinhos responderam por 16,6% da captação do semestre.
Com mais estruturas disputando o mesmo dinheiro, rentabilidade e remuneração acima do CDI deixam de bastar para explicar a qualidade de uma operação. Cresce a procura por ratings de crédito, avaliações independentes sobre a capacidade de uma cota ou série pagar o que promete. A nota normalmente não vale para o FIDC inteiro, mas para uma cota ou série específica, que pode ter proteção e prioridade de pagamento diferentes das demais.
As agências olham a qualidade dos recebíveis, o histórico de inadimplência, a concentração entre cedentes e devedores, a subordinação das cotas, os mecanismos de proteção, a capacidade de cobrança e a experiência dos prestadores de serviço. Relatórios foram publicados para fundos de diferentes segmentos de crédito ao longo de junho e julho.
“Uma classificação elevada é consequência de uma estrutura capaz de suportar cenários adversos, e não apenas de um bom desempenho em períodos favoráveis.”
Valdir Piran Junior, CEO da Intra
A Intra Asset entrou nesse movimento com o FIDC Intra Solidez, que recebeu o rating preliminar brAA- (sf) da S&P Global Ratings na 7ª série de cotas seniores. A faixa AA fica logo abaixo da AAA nas escalas nacionais e indica qualidade de crédito elevada, sem ser garantia contra perdas.
“O investidor precisa entender não apenas quanto uma operação pode render, mas quais mecanismos sustentam esse retorno. O rating contribui para organizar essa leitura, porque transforma informações sobre carteira, garantias, governança e capacidade de pagamento em uma referência que pode ser comparada com outras estruturas do mercado”, afirma Valdir Piran Junior, CEO e diretor executivo da Intra.
A tendência, segundo o texto, é a concorrência entre FIDCs deixar de ser só pela maior remuneração e passar a incluir solidez operacional, diversificação, governança e proteção das cotas seniores. Isso amplia o universo de investidores, porque muitas instituições têm políticas internas que exigem rating mínimo para aplicar. “Para o gestor, o desafio é demonstrar que seleção de crédito, monitoramento e governança permanecem consistentes durante toda a vida do fundo”, diz Piran Junior.
Por que importa. Por que importa: o FIDC já é o caminho principal para uma fintech de crédito conseguir dinheiro para emprestar, e R$ 30,6 bilhões entraram nesses fundos em seis meses. Quem originar crédito com dados limpos de inadimplência, cobrança e garantias consegue rating e acessa o dinheiro dos institucionais, mais barato. E há negócio também em vender a ferramenta: monitorar carteira e gerar esses relatórios para gestoras é um nicho aberto para fintechs de infraestrutura.
Fonte: Acionista.com.br. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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