FIDCs captam R$ 56 bilhões no ano e Anbima prepara nova classificação para os fundos de crédito
Fundos de direitos creditórios só perdem para a renda fixa na captação até setembro, somam R$ 819 bilhões de patrimônio e chegam a 4.270 carteiras; proposta da Anbima vai a audiência pública ainda em outubro.

Julya Wellisch, diretora da Anbima. Foto: Divulgação/Anbima Summit
Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) captaram R$ 56 bilhões em 2026 até setembro e ficaram atrás apenas dos fundos de renda fixa, que receberam R$ 136 bilhões, segundo dados da Anbima divulgados nesta quarta-feira (7) e publicados pelo InfoMoney. Os FIDCs compram recebíveis como duplicatas e faturas de cartão de crédito.
O patrimônio dos FIDCs chegou a R$ 819 bilhões em setembro, R$ 69 bilhões a mais do que em outubro do ano passado. O número de fundos cresceu 8,7% no ano, para 4.270 carteiras, 342 a mais do que em dezembro. As carteiras destinadas ao investidor de varejo somaram R$ 5,1 bilhões, quase o dobro dos R$ 2,7 bilhões do fim de 2025.
No sentido oposto, os fundos de ações tiveram resgates líquidos de R$ 10,9 bilhões no ano e os multimercados, de R$ 9,3 bilhões. Os fundos de previdência lideraram as saídas, com R$ 12,4 bilhões. Somadas todas as classes, a indústria de fundos captou R$ 251,7 bilhões até setembro, 61% mais do que no mesmo período de 2025.
Com o avanço dos FIDCs, a Anbima vai colocar em audiência pública ainda este mês uma nova classificação para esses fundos. Hoje existem quatro categorias (fomento mercantil, financeiro, agronegócio e outros), e a maior parte das carteiras cai em “outros”. A proposta agrupa os fundos pelo tipo de crédito comprado, como consignado, educacional, saúde e imobiliário, e acrescenta informações sobre devedor e cedente, concentração, índice de subordinação, crédito performado ou não e classificação de risco.
“É um ritmo expressivo de crescimento, por isso estamos trabalhando em uma agenda que aumente a transparência, a prestação de informações ao investidor e fortalecimento das estruturas”
Julya Wellisch, diretora da Anbima, ao InfoMoney
Pela proposta, as regras valem para novos FIDCs a partir de janeiro. Os fundos que já existem terão duas fases de adaptação: metade do estoque até abril e o restante até junho. A diretora Julya Wellisch disse que a entidade também apoia a adoção da duplicata escritural e orienta administradores sobre o reconhecimento de perdas.
Por que importa. O FIDC virou a segunda maior porta de entrada de dinheiro novo nos fundos do país. Para quem tem fintech de crédito, é o investidor dizendo que quer comprar a carteira que você origina, e regras mais claras tendem a deixar esse dinheiro mais barato.
Fonte: InfoMoney, com dados da Anbima. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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