Fintechs terão mais regulação nos próximos anos, diz ex-diretor do BC Luiz Fernando Figueiredo: “passou muito do ponto”
Em evento em São Paulo com Caio Megale, economista-chefe da XP, Figueiredo citou a XP como exemplo de startup que virou “mega incumbente”; Megale vê “fase de ressaca” na economia e comprometimento de renda perto de 30%.

Edifício-sede do Banco Central, em Brasília (Foto: Senado Federal/Wikimedia Commons, CC BY 2.0)
As fintechs vão passar por regulação maior nos próximos anos, avaliou Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, em evento realizado na terça-feira (6), em São Paulo, segundo o Finsiders Brasil. Para ele, a regulação mais leve foi importante para o setor se desenvolver no país, trouxe avanços em produtos e serviços e aumentou a competição no sistema financeiro. “Foi um negócio extraordinário do ponto de vista positivo”, afirmou.
“Elas são pouco reguladas demais e elas vão ter que ter mais regulação”, disse Figueiredo, ressaltando que isso não significa necessariamente um ambiente pior ou mais complexo para as empresas. Ele citou a XP como exemplo de empresa que começou como startup e tomou uma grande fatia dos maiores bancos: “Hoje, a XP é uma mega incumbente”. Para o ex-diretor, a competição trazida por startups e fintechs é uma forma moderna de estimular inovação e produtividade.
Na mesma conversa, Caio Megale, economista-chefe da XP, disse que a economia brasileira entrou em uma “fase de ressaca” depois de um período de forte expansão, mas descartou uma crise como a de 2014 e 2015. Ele defendeu menos estímulo ao crédito neste momento e citou o comprometimento de renda das famílias, próximo de 30%, segundo os dados mais recentes do BC.
Megale também comentou as apostas on-line, proibidas por medida provisória às vésperas do primeiro turno. Segundo ele, um estudo que acompanhou milhares de pessoas mostrou piora financeira e maior probabilidade de atraso no crédito depois da primeira aposta, e análises de dados transacionais identificaram quem contratava empréstimo e mandava o dinheiro para as plataformas no mesmo dia.
“Não dá para esperar que as fintechs fiquem tão pouco reguladas quanto elas estão hoje. Passou muito do ponto”
Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central, em evento em São Paulo (via Finsiders Brasil)
Por que importa. Quando um ex-diretor do BC diz que a XP saiu de startup para "mega incumbente" tomando clientes dos grandes bancos, ele resume por que o mercado atrai tanto empreendedor. Mais regulação muda o jogo para quem entra agora: operar com parceiro de infraestrutura já licenciado e em dia com o BC vira vantagem competitiva.
Fonte: Finsiders Brasil. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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