Fintechs ficam com 83% do capital de startups da América Latina no 3º trimestre, e dívida e FIDCs já são 59% do dinheiro
As startups da região captaram US$ 1,95 bilhão entre julho e setembro, 36% menos que no trimestre anterior. No Brasil, o maior cheque foi um FIDC de US$ 98,4 milhões da Ume.

Berthier Ribeiro e Theo Ramalho, sócios fundadores da Ume. Foto: Divulgação/Ume
As startups da América Latina captaram US$ 1,95 bilhão em 129 rodadas no terceiro trimestre de 2026, segundo dados da plataforma Sling Hub publicados pela Bloomberg Línea neste sábado (10). O volume é 36% menor que o do segundo trimestre e 26% menor que o do mesmo período de 2025. As fintechs responderam por 83% de todo o capital da região.
O dinheiro mudou de forma. Só US$ 802 milhões, em 110 rodadas, vieram de participação acionária (equity), o equivalente a 41% do total. Os outros 59% chegaram por dívida, fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) e captações mistas, instrumentos que financiam carteira de crédito.
O México liderou o trimestre, puxado pela captação de dívida de US$ 150 milhões da fintech Mundi, comandada pelo cofundador e CEO Martín Pustilnick, pela rodada mista (dívida e equity) de US$ 125 milhões da Kapital, de René Saúl, e pelo aporte em equity de US$ 87 milhões na Félix Pago, de Manuel Godoy.
As startups brasileiras receberam US$ 629 milhões, 32% do total e a menor fatia do país no ano. O valor caiu 63% em relação ao trimestre anterior e 50% em um ano. Os destaques foram a Ume, fintech de crédito de Berthier Ribeiro e Theo Ramalho, com um FIDC de US$ 98,4 milhões, e a Decade, de Vitor Olivier, ex-CTO do Nubank, com uma rodada de US$ 85 milhões.
“Fintechs responderam por 83% do capital investido em startups da América Latina no terceiro trimestre”
Dados da Sling Hub, publicados pela Bloomberg Línea
O número de rodadas ficou quase estável no trimestre, com queda de 4%, mas recua 48% no acumulado do ano. A mediana dos cheques foi de US$ 2,7 milhões. Fora das fintechs, as startups de inteligência artificial captaram US$ 632 milhões em 52 rodadas, alta de 49% em um ano.
Por que importa. Quando o dinheiro de risco encolhe, o que continua fluindo é o capital para emprestar: 59% do trimestre veio de dívida e FIDC. Para quem tem ou quer montar fintech de crédito, carteira bem originada vira funding barato, e quem vende a estrutura de FIDC, cobrança e análise de crédito atende todas elas.
Fonte: Bloomberg Línea. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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