Finza, da Blips, que já originou R$ 750 milhões, financia máquinas na fábrica e usa o próprio equipamento como garantia
Fintech faz a análise de crédito durante a negociação com a indústria, lê o fluxo de caixa via Open Finance e aliena a máquina ao financiamento; meta é carteira de R$ 40 milhões em 2026

Ricardo Rocha e Adolfo Sortica, cofundadores da Blips (Divulgação/Blips)
A Finza, fintech de crédito criada pela mineira Blips, aposta no financiamento de máquinas e equipamentos feito dentro da própria venda da indústria para chegar aos micro e pequenos negócios, segundo o head de crédito da empresa, Weber Torniziello, em entrevista ao Paraíba Business publicada nesta sexta-feira (23). No modelo, a análise de crédito acontece durante a negociação com o fabricante, e o empresário não precisa procurar um banco depois de escolher o equipamento.
O público é grande: segundo o Painel de Registro de Empresas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil tem mais de 25 milhões de CNPJs ativos, e cerca de 87% são MEIs e microempresas, justamente as que mais esbarram em exigência de garantia patrimonial e de histórico financeiro no banco.
A avaliação não fica só no cadastro: usa dados de movimentação financeira e o Open Finance, com autorização do cliente, para medir a capacidade de pagamento pelo fluxo de caixa. A garantia é a própria máquina. “Como a indústria fornece à parceira financeira os dados exatos do equipamento, seu valor de mercado e a aplicação produtiva, a própria máquina adquirida é alienada como garantia da operação”, disse Torniziello. Em algumas operações há carência para acompanhar a instalação e o começo da geração de receita.
O executivo também pondera os limites do modelo. “Ampliar o acesso não significa conceder crédito sem critério: a parcela precisa caber no fluxo de caixa, e o custo total da operação deve ser transparente”, afirmou.
“O pequeno empresário precisa investir hoje para conseguir produzir mais e faturar amanhã.”
Weber Torniziello, head de crédito da Finza
A Finza foi lançada em março pela Blips, fundada por Adolfo Sortica, que hoje se apresenta como CEO da Finza, e que tem Ricardo Rocha como cofundador. Desde 2019, a Blips originou mais de R$ 750 milhões em crédito para equipamentos de pequenas e médias empresas. Na época do lançamento, a empresa informou que a Finza emitiu R$ 4 milhões em Cédulas de Crédito Bancário nos dois primeiros meses de 2026, tinha parcerias com fabricantes como Rhino, Raizen Machine e Mak CNC, e projetava terminar o ano com carteira de R$ 40 milhões, segundo a Let's Money e a Startupi. A Blips originou R$ 200 milhões em 2025 e mira R$ 350 milhões em 2026 e R$ 1 bilhão em 2027.
As modalidades divulgadas no lançamento incluem financiamento com entrada de 20% a 30% e 36 parcelas, leasing operacional com aluguel fixo por no mínimo três anos e venda direta. A inadimplência informada pela empresa ficava entre 1% e 2% ao mês.
Por que importa. Por que importa: crédito para máquina de pequeno negócio é um mercado enorme que o banco atende mal, e quem vende pelo balcão da indústria ganha cliente pronto, sem custo de aquisição, e garantia física que pode ser monitorada. É um nicho em que uma fintech pequena consegue escalar carteira com inadimplência baixa.
Fonte: Paraíba Business. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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