Galperin chama de “falso” o custo de 102% ao ano que o BC argentino obriga o Mercado Pago a mostrar
Fundador do Mercado Livre diz que o CFTEA infla o preço dos empréstimos do app porque supõe juros sobre juros e renovação do crédito durante um ano

Marcos Galperin, fundador do Mercado Livre, atacou a regra do Banco Central da República Argentina (BCRA) que obriga bancos e fintechs a mostrar ao cliente o Custo Financeiro Total Efetivo Anual (CFTEA) dos empréstimos. A discussão, repercutida pelo Infobae nesta segunda-feira (12), começou com uma simulação de crédito do Mercado Pago publicada no X.
O economista Agustín Etchebarne divulgou a tela de um empréstimo do app: o cliente recebe $10.000 (pesos argentinos) e paga 12 parcelas fixas de $1.208,02, total de $14.496,24. A tela mostra taxa nominal anual (TNA) de 60%, taxa efetiva anual (TEA) de 79,59% e CFTEA de 102,36%, número que Etchebarne destacou com a legenda “Baratinhos os empréstimos do MELI”.
Galperin respondeu que o indicador é “falso, incorreto e inflado”, porque assume que os juros são capitalizados e que o empréstimo é renovado a cada vencimento durante um ano, o que, segundo ele, não acontece em “dezenas de milhões” de empréstimos concedidos.
A norma do BCRA exige que contratos e anúncios de crédito tragam TNA, TEA, se a taxa é fixa ou variável e o CFT, que soma juros, comissões, seguros obrigatórios e IVA. Na publicidade, o CFT precisa aparecer em cor de destaque e em letra pelo menos cinco vezes maior que a da TNA. A regra vale para bancos e também para fornecedores não financeiros de crédito, como as fintechs.
“O 'Custo Financeiro Total Efetivo Anual' que o BCRA obriga a publicar é FALSO, INCORRETO (e por isso INFLADO). Em dezenas de milhões de empréstimos concedidos, isso não acontece NUNCA”
Marcos Galperin, fundador do Mercado Livre, no X
Não é a primeira polêmica. Em agosto, quando se divulgou que o Mercado Pago cobrava juros de até 1.375% em alguns empréstimos, a empresa explicou que a taxa depende do perfil de risco de cada usuário e cai conforme ele constrói histórico. O CFTEA mais alto vale para valores menores e clientes sem informação suficiente, cerca de 2% dos empréstimos. Segundo a empresa, num empréstimo de $100.000 com TNA de 50% em 12 parcelas, o CFTEA fica perto de 100%, mas o total pago ronda $135.000.
Por que importa. Crédito é onde a fintech ganha dinheiro de verdade, e o Mercado Pago mostra a receita: cobrar conforme o risco de quem ainda não tem histórico e baixar a taxa de quem paga em dia, usando os dados do próprio app. Uma fintech com carteira digital e dados de pagamento pode repetir esse modelo em nichos que os bancos não atendem, como autônomos e pequenos lojistas.
Fonte: Infobae. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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