Itaú compra 35% da Prisma Capital, gestora de R$ 28 bilhões com FIDCs e direitos creditórios
Os sócios-fundadores mantêm os 65% restantes e 100% das ações com voto; valor da operação não foi divulgado

Lucas Canhoto, Marcelo Hallack e João Mendes, sócios-fundadores da Prisma Capital. Divulgação/Prisma Capital
O Itaú Unibanco está comprando 35% da Prisma Capital, gestora de ativos alternativos de São Paulo com cerca de R$ 28 bilhões sob gestão, informou a Bloomberg Línea nesta quarta-feira (14). A participação será adquirida por meio de ações preferenciais, e o banco não divulgou o valor pago.
Fundada em 2017, a Prisma investe em participações em empresas de capital aberto ou fechado, crédito, imóveis, companhias em recuperação judicial e direitos creditórios. A gestora também tem exposição a fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), que compram carteiras como as de empréstimo consignado, e a plataformas de tecnologia que originam crédito. Entre seus investimentos está a Polígono Capital, gestora criada em fevereiro de 2023 numa joint venture com a BTG Pactual Asset Management.
Os atuais sócios não venderam ações e ficam com os 65% restantes do capital, mantendo o controle com 100% das ações com direito a voto. Segundo o sócio-fundador Marcelo Hallack, os recursos serão usados para ampliar a capacidade de investimento da Prisma e acelerar a criação e a aquisição de plataformas que originam ativos para seus fundos.
Para Lucas Canhoto, outro sócio-fundador, as novas regras de perda esperada vão obrigar os bancos a constituir provisões sobre o que emprestam, “e isso exige mais capital deles”. “Portanto, os bancos agora precisam reciclar mais capital, e é nesse mercado que atuamos”, afirmou. João Mendes, também sócio-fundador, disse que os fundos podem investir em capital acionário conversível em crédito ou em crédito conversível em capital acionário.
“A gente chegou à conclusão que precisava de capital e de um sócio de longo prazo e a gente se encontrou com o Itaú.”
Marcelo Hallack, sócio-fundador da Prisma Capital, à Bloomberg News
Em comunicado, Carlos Fernando Rossi Constantini, diretor de wealth management & services do Itaú, afirmou que a compra “reforça o posicionamento do Itaú no segmento de alternativos, permitindo melhor capturar o potencial de crescimento desse mercado no Brasil”. A conclusão da operação depende de aprovação do Cade e do Banco Central.
Por que importa. Quando o maior banco do país paga para ser sócio de quem compra carteiras de crédito, fica claro que originar bons recebíveis vale ouro. A regra de perda esperada vai fazer os bancos venderem mais crédito, e a fintech que originar e entregar carteira limpa para FIDCs tem comprador garantido.
Fonte: Bloomberg Línea. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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