Dona da Kraken compra o Saldo Bank, banco digital de US$ 190 milhões em ativos, e ganha licença na União Europeia para depósitos, crédito e BaaS
A Payward será a primeira empresa de cripto a comprar um banco na UE; o negócio leva passaporte para 5 países e deve ser concluído em 2027

Distrito financeiro de Vilnius, Lituânia. Foto: Nikas Morozov/Wikimedia Commons, CC BY 4.0
A Payward, empresa controladora da corretora de criptomoedas Kraken, assinou acordo definitivo para comprar a Saldo Finance Oy, holding finlandesa dona do Saldo Bank, banco digital com licença na Lituânia e US$ 190 milhões em ativos totais. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (14). Com o negócio, a Payward deve se tornar a primeira empresa do setor de cripto a adquirir um banco na União Europeia.
O valor da operação não foi divulgado. A conclusão está prevista para 2027 e depende das aprovações regulatórias de praxe.
O Saldo Bank atende clientes na Lituânia, na Finlândia, na Suécia e na Alemanha e tem passaporte europeu para operar também na Holanda. Em todos esses mercados oferece depósitos a prazo para pessoas físicas; o crédito varia por país, com empréstimo ao consumidor na Lituânia, na Finlândia e na Suécia e crédito a pequenas e médias empresas, com e sem garantia, na Lituânia e na Finlândia. O cartão de crédito do banco já está disponível na Finlândia e deve chegar à Suécia em 2027.
A compra reforça a Payward Banking, divisão bancária do grupo, que já originou mais de US$ 2 bilhões em empréstimos e tem uma conta master de propósito limitado no Federal Reserve, nos Estados Unidos, além de licença de instituição de moeda eletrônica concedida pelo Banco Central da Irlanda. Somado a essa estrutura, o Saldo Bank deve permitir que a empresa ofereça aos clientes europeus depósitos remunerados, crédito, cartões, pagamentos em euro e serviços de banking as a service (BaaS), como o passaporte europeu, a emissão de cartões e o crédito a PMEs para outras empresas.
“Contar com um banco regulado na UE nos permitirá atender os clientes europeus como esperam de uma instituição financeira de referência: um único lugar para manter seus ativos, movimentá-los livremente e fazê-los render.”
Arjun Sethi, co-CEO da Payward
“Contar com um banco regulado na UE nos permitirá atender os clientes europeus como esperam de uma instituição financeira de referência: um único lugar para manter seus ativos, movimentá-los livremente e fazê-los render. Começamos pela União Europeia, mas nossa ambição é global”, afirmou Arjun Sethi, co-CEO da Payward.
Para Jarkko Mäensivu, presidente do Saldo Bank, a infraestrutura do banco foi desenhada para operar em toda a Europa e oferecer serviços integrados a outras fintechs. “A combinação dessas capacidades com a nossa presença em cinco mercados vai permitir que muito mais clientes tenham acesso a uma oferta mais ampla de serviços financeiros, com banco, pagamentos e crédito em um só lugar”, disse.
Por que importa. Licença bancária é o ativo mais caro e mais lento de construir no mercado financeiro, e por isso vale tanto: quem a tem pode captar depósito, emprestar e alugar essa estrutura para outras empresas. É o mesmo modelo de BaaS que cresce no Brasil: a fintech que tem a licença e a infraestrutura ganha em cada cliente dos parceiros que operam em cima dela. E quem quer ter a própria fintech não precisa esperar anos por uma licença: pode lançar a operação alugando essa estrutura e faturar desde o primeiro cliente.
Fonte: CoinDesk e Infobae. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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