Capital mínimo do BC leva a MAPS a negociar a compra da Lastro, DTVM com R$ 790 milhões em fundos que já rodava nos seus sistemas
A MAPS Pay fará aportes graduais na distribuidora de Araras (SP) e terá opção de compra de 100% das quotas. O BC estima que 679 instituições podem ficar desenquadradas até 2028.

Salão da B3, em foto publicada pela Lastro (Foto: Divulgação/Lastro)
A MAPS Pay, instituição de pagamento do Grupo MAPS, vai fazer aportes graduais na Lastro RDV, distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM) de Araras (SP), e terá opção de compra sobre 100% das quotas, informou a Capital Aberto nesta quinta-feira (8). Segundo as partes, o aporte busca adequar o capital social da Lastro à Resolução Conjunta nº 14/2025, do CMN e do Banco Central, que passou a calcular o capital mínimo pelas atividades que cada instituição exerce, e não mais pelo tipo de licença.
O comprador já conhecia a casa por dentro. A MAPS Soluções, do mesmo grupo, fornece os sistemas que a Lastro usa em administração fiduciária, custódia, controladoria e escrituração de fundos. A MAPS desenvolve softwares de precificação, risco, custódia e back office para bancos, gestoras e fundos, como as plataformas Pegasus, Argus e Tellus. Com a DTVM, o grupo passa a controlar também a ponta regulada da operação.
A Lastro administrava R$ 790,5 milhões em fundos em julho e custodiava R$ 6,87 bilhões, com foco em fundos estruturados como FIDCs, FIPs e FIIs. Também coordena ofertas de debêntures, CRIs e notas comerciais e opera câmbio, atividades que pesam no novo cálculo. Os atuais sócios são Marco Aurélio Russo, com 50%, e os irmãos Gino e Gilberto Della Volpe, com 25% cada. A MAPS Pay tem como sócias a MAPS Holding, com 75%, e a TRD Participações, com 25%. O valor não foi divulgado, e o negócio depende de aprovação do Banco Central.
O caso é um dos primeiros desfechos societários da nova régua. No Relatório de Estabilidade Financeira de maio, o BC estimou que 679 das 1.751 instituições analisadas podem ficar desenquadradas quando o capital mínimo estiver em vigor por completo, em janeiro de 2028, com deficiência somada de R$ 8 bilhões. Desde 1º de julho, as instituições precisam cobrir 25% da diferença entre o piso antigo e o novo, percentual que sobe para 50% em janeiro de 2027 e 75% em julho do mesmo ano.
“automação, conciliação e liquidação integradas, com menos processos manuais”
justificativa da MAPS e da Lastro para o negócio, segundo a Capital Aberto
Por que importa. Quem vende tecnologia para instituições financeiras está no lugar certo para virar dono delas. Com centenas de casas pequenas precisando de capital até 2028, fornecedores de software e fintechs com caixa ganham a chance de comprar licenças prontas e clientes que já conhecem.
Fonte: Capital Aberto. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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