Fundador que vendeu a Sambla capta US$ 5 milhões para a Matters, banco com IA que devolve tarifa de cartão em cashback
Fintech sueca fundada em abril cobra mensalidade fixa e repassa ao cliente o intercâmbio e o câmbio; ex-COO da Klarna e ex-CEO da Nordnet estão no projeto

Per Österström, fundador e CEO, e Lars-Åke Norling, presidente do conselho da Matters. Foto: Divulgação/Matters
A Matters, fintech de Estocolmo que desenvolve uma plataforma de finanças pessoais com inteligência artificial, saiu do modo discreto nesta quinta-feira (15) com US$ 5 milhões em rodada pré-seed, segundo comunicado da empresa reproduzido pelo Let's Money. Fundada em abril de 2026, ela quer montar um banco digital de consumo nativo em IA e diz que o primeiro produto para pessoas físicas chega nas próximas semanas, sem data marcada.
O modelo inverte a fonte de receita de um banco de varejo. O cliente vai pagar uma mensalidade fixa pela conta digital, que inclui um assistente de IA, o AI Advisor, voltado a gastar com mais consciência e poupar mais. A receita de intercâmbio do cartão e as tarifas de câmbio, que um banco tradicional costuma embolsar, vão voltar ao cliente como cashback acumulado. A empresa não divulgou o valor da mensalidade, os países de estreia nem o percentual de cashback. “Os bancos ganham mais quando os consumidores administram pior o próprio dinheiro. Na Matters, estamos indo de propósito na direção oposta”, disse Per Österström, fundador e CEO.
É a segunda fintech de Österström. A primeira foi a Sambla Group, corretora de empréstimos ao consumidor que passou de 400 funcionários, chegou a cerca de US$ 200 milhões de receita e virou a maior do ramo nos países nórdicos antes de ser vendida à Nordic Capital no início de 2021.
O conselho é presidido por Lars-Åke Norling, ex-CEO da Nordnet, período em que o valor de mercado da plataforma de investimentos multiplicou por dez em menos de sete anos e chegou a 80 bilhões de coroas suecas, segundo a Matters. O cheque principal é do investidor-anjo sueco Jakob Johansson. Entraram também como anjos Knut Frängsmyr, ex-diretor de operações da Klarna; Douglas Stark, cofundador da Voi; Johan Bladh, CEO da Röko; Patrik Tran, CEO da Validio; e Per Widerstrom, CEO da Evoke.
“Os bancos ganham mais quando os consumidores administram pior o próprio dinheiro. Na Matters, estamos indo de propósito na direção oposta”
Per Österström, fundador e CEO da Matters
O dinheiro vai servir para pedir as licenças que a empresa ainda não tem, expandir na União Europeia, ampliar a equipe de 14 pessoas, ganhar usuários e, eventualmente, fazer aquisições.
Por que importa. A Matters aposta que o cliente paga uma mensalidade para não ser cobrado escondido, e transforma intercâmbio e câmbio em cashback para segurar quem entra. Assinatura dá receita previsível desde o primeiro mês, e no Brasil, onde o Pix e o open finance baixaram o custo de montar conta digital, a fintech que vender transparência e organização do dinheiro como produto tem espaço para cobrar por isso.
Fonte: Let's Money. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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