Mercado Pago lucra R$ 4,7 bilhões no Brasil em 12 meses, estima Itaú BBA; Shopee cresce 194% no crédito
Operação financeira do Mercado Livre cresceu 52% e já responde por 10% dos pagamentos do país; Shopee teria lucrado R$ 1,1 bilhão com crédito em 2025

Ariel Szarfsztejn, CEO do Mercado Livre · Foto: Divulgação/Mercado Libre
A operação brasileira de serviços financeiros do Mercado Pago gerou cerca de US$ 873 milhões, ou R$ 4,7 bilhões, de lucro líquido nos 12 meses até o primeiro semestre de 2026, segundo estimativa do Itaú BBA divulgada nesta quarta-feira (21) pela Exame. O valor representa crescimento de 52% em dólar constante na comparação anual. Só no primeiro semestre, o lucro estimado foi de aproximadamente US$ 400 milhões.
O banco chegou ao número cruzando as demonstrações financeiras da operação com dados dos FIDCs que estruturam parte da carteira. Três fatores explicam o avanço, segundo o relatório: a rentabilidade do crédito, com margem financeira líquida após perdas (NIMAL) de cerca de 36%, já descontado o custo de funding e excluídos os cartões; a melhora das safras de cartões originadas em 2024 e 2025; e o volume de pagamentos, que cresceu a uma taxa composta de 29% ao ano entre o primeiro semestre de 2023 e o de 2026. O Mercado Pago já detém 10% do mercado brasileiro de pagamentos.
A carteira de crédito do Mercado Pago no Brasil, estimada em US$ 11,9 bilhões, cresceu cerca de 74% em um ano. Mesmo assim, o indicador de inadimplência preferido pelo banco (recebíveis que entram na faixa de 90 a 180 dias de atraso) caiu para 8,9% no primeiro semestre, melhora de 3,1 pontos percentuais e perto das mínimas históricas. Entre 18% e 20% do GMV brasileiro do Mercado Livre é financiado por BNPL e cartões do próprio Mercado Pago.
A Shopee acelera na mesma frente. Sua carteira de empréstimos no Brasil chegou a US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9,3 bilhões) em setembro, alta de 194% em um ano. O Itaú BBA estima NIMAL de aproximadamente 27% e lucro de cerca de US$ 200 milhões, ou R$ 1,1 bilhão, com o crédito em 2025. A empresa já financia cerca de 10% do seu GMV no país via BNPL.
“Para o Mercado Livre, a vantagem é a escala. Para a Shopee, é a velocidade de expansão”
Avaliação do Itaú BBA, em relatório citado pela Exame
O relatório também compara o Mercado Livre ao Nubank: juntos, os dois responderam por mais de 51% do crescimento da carteira de cartões do país nos 12 meses até o segundo trimestre de 2026, cerca de US$ 10,6 bilhões. No crédito ao consumidor e ao comerciante, o NIMAL do Mercado Livre é estimado em 37%, contra cerca de 19% do Nubank. Para o banco, um corte de 100 pontos-base nos juros, se repassado, reduziria em cerca de 14 pontos-base a taxa cobrada dos vendedores.
Por que importa. Margem de 27% a 36% depois das perdas mostra que crédito com dado próprio de venda é um dos negócios mais rentáveis do país. Marketplaces, ERPs e plataformas de nicho têm o mesmo dado; a fintech que entrega a esteira de crédito, o FIDC e a cobrança para eles vende exatamente o que Mercado Pago e Shopee montaram em casa.
Fonte: Exame (relatório do Itaú BBA). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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