Möbius e Desenvolve SP criam FIDC de R$ 70 milhões para financiar provedores de internet e data centers
A gestora fica com R$ 20 milhões em cotas subordinadas e assume a primeira perda; a agência de fomento paulista entra com R$ 50 milhões nas cotas seniores

Roberto Savaris, sócio e fundador da Möbius Capital. Imagem: Reprodução/LinkedIn
A Desenvolve SP, agência de fomento do Estado de São Paulo, e a gestora Möbius Capital estão lançando um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) de R$ 70 milhões para financiar empresas de infraestrutura digital no estado, informou o Valor Econômico nesta quarta-feira (14). O foco são provedores regionais de internet e operadores de data centers de pequeno porte, principalmente em cidades do interior com menos oferta de conectividade e serviços de tecnologia.
A Desenvolve SP vai subscrever R$ 50 milhões em cotas seniores, o equivalente a 71,4% do patrimônio previsto. A Möbius fica com R$ 20 milhões em cotas subordinadas, ou 28,6% do total. As subordinadas absorvem primeiro eventuais perdas da carteira e funcionam como colchão de proteção para as seniores, que têm prioridade no recebimento de amortizações e rendimentos. Na prática, a gestora assume a primeira parcela do risco de crédito.
O fundo poderá antecipar recebíveis de clientes dos provedores de internet, pessoas físicas e jurídicas, e financiar a compra de equipamentos e projetos de expansão da infraestrutura. Também estão previstas operações de compra e fusão de empresas, num setor que passa por consolidação.
A Möbius foi selecionada em chamada pública da Desenvolve SP voltada a FIDCs e fundos de investimento em participações (FIPs). A proposta passou por análise de elegibilidade, diligência e aprovação do comitê de investimentos da agência. Segundo Roberto Savaris, sócio e fundador da gestora, a casa já atua no financiamento de aquisições de provedores de internet e na estruturação de operações no mercado de capitais para empresas do setor.
“Por meio do blended finance, conseguimos atrair investimento privado, potencializar o impacto do recurso público e alcançar mais empreendedores.”
Ricardo Brito, diretor-presidente da Desenvolve SP, ao Valor Econômico
Para Ricardo Brito, diretor-presidente da Desenvolve SP, a operação amplia o acesso ao crédito para negócios inovadores ao combinar capital público e privado.
Por que importa. Recebível de provedor de internet é mensalidade que se repete todo mês, um lastro previsível e pouco disputado pelos bancos. Quem conhece um nicho assim e topa ficar com a cota subordinada consegue atrair dinheiro público barato para a cota sênior e montar uma operação de crédito que escala.
Fonte: Valor Econômico. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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