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Omie levanta R$ 75 milhões em FIDC e quer 1/3 da receita vinda de serviços financeiros

Dona de um ERP para pequenas e médias empresas, a Omie trouxe o risco de crédito para dentro de casa e deixou a licença com um parceiro de Banking as a Service.

Por Redação Mundo das Fintechs · 10/10/2026 · 3 min de leitura
Omie levanta R$ 75 milhões em FIDC e quer 1/3 da receita vinda de serviços financeiros

Rafael Sobral, GM Financial Services da Omie. Foto: Reprodução/Let's Money

A Omie, empresa de sistema de gestão (ERP) para pequenas e médias empresas, levantou R$ 75 milhões no seu primeiro fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), voltado a capital de giro de curto prazo com desconto de recebíveis. A informação foi dada por Rafael Sobral, GM Financial Services da companhia, em entrevista à série Verticalizando Gigantes, do Let's Money Podcast, publicada na quinta-feira (8).

Segundo Sobral, a Omie quer que os serviços financeiros respondam por cerca de um terço do faturamento da empresa nos próximos cinco anos. Hoje a vertical tem três frentes: conta integrada ao ERP, crédito e serviços, com cartão corporativo operado por parceiro.

O crédito começou numa esteira de terceiros, com risco e decisão do lado de um banco parceiro. Nos últimos dois anos, a Omie montou times internos de crédito e de políticas de crédito e verticalizou a operação. “Quando eu digo verticalizar, não é verticalizar a parte regulatória”, explicou Sobral. O risco passou a ficar num fundo com subordinação, enquanto um parceiro de bancarização segue emprestando a licença para emitir o título de crédito.

O executivo deu dois motivos para a mudança: controle total sobre a experiência e a política de crédito e, depois dos testes, a constatação de que “era possível ganhar dinheiro com isso”. A conta digital, por sua vez, roda sobre um parceiro de Banking as a Service e deve continuar assim por um bom tempo.

“Na minha visão, nunca vai ser comoditizado crédito, porque você tem uma assunção clara de risco”

Rafael Sobral, GM Financial Services da Omie, ao Let's Money

A base ajuda a explicar a aposta. A Omie processa quase R$ 40 bilhões em documentos fiscais por mês, segundo Sobral, e o contador é o principal canal de distribuição: o Brasil tem cerca de 100 mil escritórios contábeis que atendem 22 milhões de CNPJs, dos quais cerca de 7 milhões são pequenas e médias empresas, o público da companhia. Fundada em 2013 e comandada pelo fundador e CEO Marcelo Lombardo, a empresa viu o modelo ficar viável quando surgiram provedores maduros de infraestrutura financeira.

Para Sobral, o erro mais caro do mercado é escolher mal o fornecedor de BaaS. Ele recomenda checar a robustez regulatória do parceiro, traduzir os casos de uso em requisitos de API e conversar com clientes do fornecedor sem ele na sala. Co-host do episódio, Ticiana Amorim, CEO da Aarin, resumiu o outro lado: “A simbiose do Banking as a Service, ela é tão grande que você só prospera se o seu parceiro prosperar”.

Por que importa. Software de gestão com base cativa enxerga o caixa inteiro do cliente e pode transformar esse dado em crédito com margem de banco, sem licença própria: a conta roda num parceiro de BaaS e o risco fica num FIDC. Para quem tem ou quer montar fintech, a oportunidade está nos dois lados, em embutir crédito num software vertical e em fornecer a infraestrutura de conta, FIDC e bancarização para essas empresas.

Fonte: Let's Money. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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