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Securitização

Opea, que administra R$ 7,3 bilhões em CRAs da Raízen, prevê pico de recuperações judiciais até início de 2027

Securitizadora aponta 1.263 produtores rurais em recuperação judicial no primeiro semestre, alta de 66% em um ano, e mais grandes empresas indo para a via extrajudicial.

Por Redação Mundo das Fintechs · 09/10/2026 · 3 min de leitura
Opea, que administra R$ 7,3 bilhões em CRAs da Raízen, prevê pico de recuperações judiciais até início de 2027

Colheita de cana em Piracicaba (SP) (Foto: Mariordo/Wikimedia Commons, CC BY 3.0)

A Opea, uma das principais securitizadoras do país, avalia que o ciclo de recuperações judiciais no agronegócio deve chegar ao ponto mais crítico entre o fim de 2026 e o início de 2027, mesmo com a queda recente dos juros. A análise foi publicada pelo AgFeed nesta quinta-feira (8).

Segundo Lucas Drummond Alves, head institucional da Opea, o número de empresas de todos os setores em recuperação judicial chegou a 6.513 em maio, recorde da série do Monitor RGF-Bizdoc, iniciada em 2023. Em junho eram 6.341 companhias, ante 4.014 no primeiro trimestre de 2023, alta de 57,9% em três anos. No agro, o levantamento apresentado pela Opea aponta 1.263 produtores rurais em recuperação judicial no primeiro semestre de 2026, crescimento de 66% em um ano, mesmo com safra recorde.

“Os juros são o pano de fundo, não são o roteiro da crise”, afirmou Drummond Alves. Para a securitizadora, pesam o endividamento elevado, a dificuldade de refinanciamento e o vencimento de dívidas renegociadas nos últimos anos.

A Opea administra cerca de 1,3 mil operações de crédito em diferentes setores; entre 8% e 9% delas enfrentam algum tipo de litígio ligado ao crédito. Entre as grandes empresas, o estoque em recuperação judicial subiu só 6% em 12 meses, movimento que a Opea associa à preferência pela recuperação extrajudicial, em que a companhia negocia diretamente com determinados credores, geralmente financeiros, e submete o acordo à homologação da Justiça.

“Os juros são o pano de fundo, não são o roteiro da crise”

Lucas Drummond Alves, head institucional da Opea

O caso de referência é a Raízen, cuja recuperação extrajudicial é considerada a maior já feita no Brasil. Ela envolveu cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras, dos quais R$ 7,3 bilhões estavam em cinco emissões de CRA administradas pela Opea, com mais de 80 mil investidores pessoas físicas. O pedido foi apresentado em 11 de março e homologado em 30 de julho, com adesão superior a 70% dos créditos abrangidos. O plano prevê converter 45% dos créditos em participação acionária e substituir ou refinanciar os outros 55% por novos instrumentos de dívida.

“A gente conseguiu [...] dar voz ativa a esses 80 mil investidores”, disse Márcio Teixeira, líder da área de securitização da Opea. Para 2027, a securitizadora espera mais recuperações extrajudiciais entre grandes companhias, enquanto as judiciais seguem concentradas em empresas menores e produtores rurais.

Por que importa. Quando a dívida aperta, quem estrutura e administra o crédito senta à mesa com o devedor em nome de 80 mil investidores. Infraestrutura de crédito bem feita ganha valor justamente no ciclo ruim, e é aí que securitizadoras e fintechs de crédito mostram por que existem.

Fonte: AgFeed. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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