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OutField e Ingresse captam fundo de até R$ 500 milhões para antecipar bilheteria do futebol

Gestora especializada em esportes já tem R$ 100 milhões em compromissos; o dinheiro dos ingressos passa pela plataforma da Ingresse e cai direto no caixa do fundo.

Por Redação Mundo das Fintechs · 09/10/2026 · 3 min de leitura
OutField e Ingresse captam fundo de até R$ 500 milhões para antecipar bilheteria do futebol

Foto: Reprodução/Na Prática

A Outfield Ventures, gestora especializada em esportes, está captando um novo fundo de até R$ 500 milhões para antecipar recebíveis de bilheteria e dos programas de sócio-torcedor de clubes de futebol, segundo o Brazil Journal, que publicou a notícia nesta sexta-feira (9). O fundo é criado em parceria com a Ingresse, ticketeira que opera a venda de ingressos de 10 clubes da Série A, entre eles Grêmio, Botafogo, Fortaleza e Bahia.

A gestora já tem R$ 100 milhões em compromissos de duas gestoras, uma independente e outra de um dos maiores bancos do país, e de alguns multifamily offices. A meta é chegar a algo entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões nos próximos meses. A captação acontece num momento em que os clubes perderam receita com a proibição das bets.

É o sexto fundo da Outfield focado em futebol. No ano passado, a gestora levantou R$ 100 milhões para o FIDC Futebol, que antecipa recebíveis de bilheteria, sócio-torcedor, transmissão de TV, venda de jogadores e patrocínios. A casa tem ainda um FIDC só para recebíveis do São Paulo, outro do Corinthians e dois veículos de legal claims.

Segundo Felipe Araújo, gestor de crédito da Outfield, o risco é baixo porque o dinheiro das vendas de ingresso transita pela plataforma da Ingresse e cai direto no caixa do fundo, sem passar pela conta do clube. A parceria também dá acesso ao histórico de vendas: um clube que faturou em média R$ 50 milhões por ano com bilheteria nos últimos 10 anos serve de base para definir quanto antecipar.

“Os clubes de futebol precisam constantemente de capital de giro e é muito comum eles buscarem essas parcerias com as empresas de bilheteria”

Gabriel Benarrós, CEO da Ingresse

Os contratos da Ingresse com os clubes duram de 5 a 10 anos, mas as operações do fundo têm prazo médio de 12 a 18 meses, o que permite reciclar o capital. Prazos maiores são difíceis pelo risco de rebaixamento, que afeta bilheteria e sócio-torcedor. No início, o fundo atende só os 10 clubes parceiros da Ingresse, que pretende usar a antecipação como argumento para conquistar novos clientes.

Para a Ingresse, o fundo é uma evolução de um negócio que já existia. A empresa começou as antecipações com capital próprio, depois levantou um FIDC generalista, que também atendia shows e eventos, e agora capta o fundo só para futebol com a Outfield. “Já fazíamos um pouco disso de forma artesanal, mas resolvemos buscar um produto financeiro mais profissional”, disse Gabriel Benarrós, CEO da Ingresse.

Por que importa. Quem controla o fluxo de pagamento controla o risco do crédito. A Ingresse vende o ingresso, vê o histórico e recebe o dinheiro antes do clube, e isso vira um fundo de até R$ 500 milhões. Toda plataforma que processa receita de um setor pode virar originadora de FIDC e ganhar duas vezes: na taxa e no crédito.

Fonte: Brazil Journal. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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