Pix, com 250 milhões de pagamentos por dia, entra na corrida para se conectar ao sistema europeu
BC e Banco Central Europeu estudam ligar o Pix ao TIPS; especialistas veem o câmbio e a governança como os maiores obstáculos, e o colombiano Bre-B, inspirado no Pix, já chega a 83% dos adultos.

Banca de feira em Itajubá (MG) com placa de Pix. Foto: Mateus S. Figueiredo/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu (BCE) estão na fase de avaliação de viabilidade para interligar o Pix ao TARGET Instant Payment Settlement (TIPS), o sistema de liquidação de pagamentos instantâneos do Eurosistema, segundo reportagem do Finsiders publicada nesta quarta-feira (7). O estudo conjunto, comunicado pelo BC em 24 de setembro, vai avaliar aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e de negócio.
Usado por cerca de 190 milhões de pessoas físicas e empresas, o Pix processa cerca de 250 milhões de pagamentos instantâneos por dia, segundo o BCE. O TIPS liquida pagamentos em euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa. O BCE também trabalha em conexões com o UPI, da Índia, e com o sistema suíço, e participa da discussão em torno do Nexus, iniciativa desenvolvida inicialmente pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS). Em nota, o BC afirmou que essas ligações poderão permitir remessas internacionais e compras com o dinheiro disponível em moeda local em poucos segundos.
Hoje, mais de 80 países têm sistemas de pagamento instantâneo, mas eles não conversam entre si. Na América Latina e no Caribe, esses sistemas movimentaram 79,8 bilhões de transações em 2024, 130 vezes mais do que em 2017, segundo o Banco Mundial, e passaram a responder por 45% dos pagamentos digitais, à frente dos cartões.
Para os especialistas ouvidos, a barreira agora é jurídica, cambial e regulatória. Walter Pereira, sócio-fundador da W Fintechs, lembra que as moedas são diferentes e que, em alguns pares, o dólar segue como intermediário mais líquido. Mariana Cunha e Melo, fundadora e CEO da Labrys, aponta a falta de uma autoridade que arbitre as duas pontas da transação. O maior ganho, avaliam, viria nas operações entre empresas no comércio exterior.
“O desafio é menos de tecnologia e muito mais de desenho regulatório”
Fernanda Garibaldi, diretora-executiva da Zetta, ao Finsiders
Enquanto isso, o colombiano Bre-B, inspirado no Pix, chegou ao primeiro ano com 83% dos adultos com chave cadastrada, ante 65% dos brasileiros no primeiro aniversário do Pix, segundo análise do Ebanx. O sistema soma 36 milhões de usuários ativos, processa mais de 8 milhões de transações por dia e acumula quase US$ 80 bilhões movimentados desde o lançamento.
Por que importa. O Pix virou produto de exportação: 250 milhões de pagamentos por dia aqui dentro e, agora, estuda conversar com a Europa. Quando a ponte sair, remessa, compra no exterior e câmbio entre empresas, hoje caros e lentos, viram negócio para quem estiver pronto. Fintech que já domina Pix sai na frente nesse mercado.
Fonte: Finsiders. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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