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Pagamentos

Pix, com 250 milhões de pagamentos por dia, entra na corrida para se conectar ao sistema europeu

BC e Banco Central Europeu estudam ligar o Pix ao TIPS; especialistas veem o câmbio e a governança como os maiores obstáculos, e o colombiano Bre-B, inspirado no Pix, já chega a 83% dos adultos.

Por Redação Mundo das Fintechs · 08/10/2026 · 3 min de leitura
Pix, com 250 milhões de pagamentos por dia, entra na corrida para se conectar ao sistema europeu

Banca de feira em Itajubá (MG) com placa de Pix. Foto: Mateus S. Figueiredo/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu (BCE) estão na fase de avaliação de viabilidade para interligar o Pix ao TARGET Instant Payment Settlement (TIPS), o sistema de liquidação de pagamentos instantâneos do Eurosistema, segundo reportagem do Finsiders publicada nesta quarta-feira (7). O estudo conjunto, comunicado pelo BC em 24 de setembro, vai avaliar aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e de negócio.

Usado por cerca de 190 milhões de pessoas físicas e empresas, o Pix processa cerca de 250 milhões de pagamentos instantâneos por dia, segundo o BCE. O TIPS liquida pagamentos em euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa. O BCE também trabalha em conexões com o UPI, da Índia, e com o sistema suíço, e participa da discussão em torno do Nexus, iniciativa desenvolvida inicialmente pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS). Em nota, o BC afirmou que essas ligações poderão permitir remessas internacionais e compras com o dinheiro disponível em moeda local em poucos segundos.

Hoje, mais de 80 países têm sistemas de pagamento instantâneo, mas eles não conversam entre si. Na América Latina e no Caribe, esses sistemas movimentaram 79,8 bilhões de transações em 2024, 130 vezes mais do que em 2017, segundo o Banco Mundial, e passaram a responder por 45% dos pagamentos digitais, à frente dos cartões.

Para os especialistas ouvidos, a barreira agora é jurídica, cambial e regulatória. Walter Pereira, sócio-fundador da W Fintechs, lembra que as moedas são diferentes e que, em alguns pares, o dólar segue como intermediário mais líquido. Mariana Cunha e Melo, fundadora e CEO da Labrys, aponta a falta de uma autoridade que arbitre as duas pontas da transação. O maior ganho, avaliam, viria nas operações entre empresas no comércio exterior.

“O desafio é menos de tecnologia e muito mais de desenho regulatório”

Fernanda Garibaldi, diretora-executiva da Zetta, ao Finsiders

Enquanto isso, o colombiano Bre-B, inspirado no Pix, chegou ao primeiro ano com 83% dos adultos com chave cadastrada, ante 65% dos brasileiros no primeiro aniversário do Pix, segundo análise do Ebanx. O sistema soma 36 milhões de usuários ativos, processa mais de 8 milhões de transações por dia e acumula quase US$ 80 bilhões movimentados desde o lançamento.

Por que importa. O Pix virou produto de exportação: 250 milhões de pagamentos por dia aqui dentro e, agora, estuda conversar com a Europa. Quando a ponte sair, remessa, compra no exterior e câmbio entre empresas, hoje caros e lentos, viram negócio para quem estiver pronto. Fintech que já domina Pix sai na frente nesse mercado.

Fonte: Finsiders. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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