Polygon conclui compra da Coinme e quer lucro em pagamentos já em 2027, contra Visa de US$ 12,3 trilhões
Dona da blockchain Polygon passa a cobrar taxa sobre o valor convertido e transferido; Tazapay, Mesh, Toku e Kira testam a plataforma

Marc Boiron, CEO da Polygon Labs. Divulgação/Polygon Labs
A Polygon Labs, desenvolvedora da blockchain Polygon, concluiu nesta quarta-feira (14) a compra da Coinme, provedora de pagamentos cripto regulada nos Estados Unidos, e espera que o negócio de pagamentos regulados dê lucro já em 2027. A projeção foi feita pelo CEO, Marc Boiron, em entrevista à CoinDesk publicada neste sábado (17).
Com a Coinme, a Polygon passa a fazer por conta própria a conversão entre criptomoedas, stablecoins e moeda tradicional, sem encaminhar o cliente a terceiros na entrada e na saída da blockchain. A compra, anunciada em janeiro, faz parte da virada da empresa para pagamentos, que inclui o Open Money Stack, estrutura lançada no mesmo mês para pagamentos com stablecoins e transferências entre países.
A mudança cria uma nova fonte de receita. Na blockchain, as taxas de transação podem ser frações de centavo; em pagamentos, a cobrança é feita sobre o valor do dinheiro transferido, e esse dinheiro antes ficava com outras empresas, segundo Boiron. “Nós não temos esse relacionamento com o cliente; não nos cabe decidir o que acontece”, disse o executivo, ao contar que blockchains concorrentes pagaram incentivos a empresas de pagamento para tirar transações da Polygon. “Agora, quando somos nós que administramos o negócio regulamentado, ninguém pode nos obrigar a direcionar fluxos para onde não desejamos.”
“Nossa atuação está muito voltada para pagamentos, utilizando blockchains apenas para movimentar dinheiro”, afirmou Boiron.
“Nossa atuação está muito voltada para pagamentos, utilizando blockchains apenas para movimentar dinheiro”
Marc Boiron, CEO da Polygon Labs
A distância para os líderes ainda é grande. A Visa movimentou mais de US$ 12,3 trilhões no ano fiscal de 2025, e a Stripe, US$ 1,9 trilhão. Os dois grupos também avançam em stablecoins: a Stripe desenvolve pagamentos com a tecnologia, e a Visa ampliou sua rede de liquidação com stablecoins, que inclui a Polygon. A Swift, rede de mensagens entre bancos, monta infraestrutura de blockchain com grandes bancos.
Os primeiros usuários da plataforma da Polygon são a Tazapay, de pagamentos internacionais, a Mesh, rede de pagamentos em cripto, a Toku, de folha de pagamento global, e a Kira, de infraestrutura de pagamentos. A integração unificada segue em prévia técnica e ainda não está aberta a todos os clientes.
Por que importa. A Polygon mostra onde está o dinheiro: não na tecnologia que move a stablecoin, mas na taxa cobrada sobre cada conversão e transferência. Para quem tem ou quer ter fintech, a porta de entrada e saída entre real, dólar e stablecoin, com licença e cliente próprios, é um negócio que paga por volume.
Fonte: CoinDesk Brasil. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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