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Precato, fintech de precatórios de Itabira, já movimentou R$ 1,8 bilhão e cresce 50% ao ano

Fundada por Bruno Guerra na cidade onde nasceu a Vale, a empresa compra dívidas judiciais do governo, carrega os ativos em um FIDC e comprou mais de R$ 500 milhões só em 2025

Por Redação Mundo das Fintechs · 10/10/2026 · 3 min de leitura
Precato, fintech de precatórios de Itabira, já movimentou R$ 1,8 bilhão e cresce 50% ao ano

Arte Mundo das Fintechs

A Precato, fintech que compra precatórios e requisições de pequeno valor, já movimentou cerca de R$ 1,8 bilhão em ativos desde que foi criada, em 2019, em Itabira (MG), cidade onde nasceu a Vale. Os números foram dados pelo fundador, Bruno Guerra, em entrevista à Exame publicada na quinta-feira (8).

Só em 2025 a empresa comprou pouco mais de R$ 500 milhões em ativos. Segundo Guerra, a Precato cresce em média 50% ao ano desde a fundação. Tem hoje cerca de 230 funcionários, mais de 200 deles em Itabira, onde fica perto de 90% da equipe.

O modelo é simples: quem ganhou na Justiça o direito de receber de um ente público pode vender esse crédito antes, por um valor menor. A Precato paga, assume a espera, que pode levar anos, e recebe o valor integral quando o governo quita a dívida. A diferença entre o preço pago e o valor recebido é o retorno.

Os ativos ficam em um FIDC (fundo de investimento em direitos creditórios), que recebe dinheiro de investidores, até agora majoritariamente institucionais, para financiar novas compras. A própria Precato fica com uma parcela subordinada do fundo, que absorve primeiro eventuais perdas. A fintech cuida da cadeia inteira, da identificação e tratamento dos dados dos credores ao contato, à análise do ativo e ao acompanhamento até o pagamento.

“Não tinha sentido alguém ter um crédito a receber e optar por não vender esse crédito e, ao mesmo tempo, fazer um outro crédito que ocupa até 40% da renda dela”

Bruno Guerra, fundador da Precato, à Exame

Guerra e o sócio e cofundador André empreendem juntos desde 2005, quando abriram em Itabira uma operação de crédito consignado como correspondentes bancários. Em cinco anos, segundo Guerra, viraram o maior correspondente do Banco Bonsucesso no segmento, com cerca de 30% do volume do banco nessa área. Desde 2013 também investiam em precatórios e perceberam que aposentados e pensionistas com dinheiro a receber do governo tomavam consignado em vez de antecipar o que já era deles.

O espaço é grande. Segundo Guerra, o estoque de precatórios no Brasil chega a cerca de R$ 300 bilhões, com uns R$ 75 bilhões em novos ativos por ano, mas as cessões ficam entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. “O mercado ainda é muito imaturo”, diz. O risco está nas regras: mudanças no Congresso, nos tribunais ou nos entes públicos afetam diretamente o ativo carregado.

Para crescer longe dos grandes centros, a Precato forma gente em casa. O campus da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) em Itabira manda estudantes de engenharia como estagiários, e 14 dos cerca de 30 sócios minoritários da fintech começaram assim.

Por que importa. Há R$ 300 bilhões em precatórios parados e só R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões mudam de mão por ano. Quem compra com desconto, financia a carteira com FIDC e acha o credor pelos dados ganha a diferença até o governo pagar, e a Precato mostra que dá para crescer 50% ao ano nisso a partir do interior de Minas.

Fonte: Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.

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