Boleto cai para 72,96% dos pagamentos entre empresas, e Pix fica em 2,03%, mostra estudo da Qive
Levantamento com 236,6 milhões de pagamentos B2B e R$ 3,3 trilhões em notas fiscais mostra depósito bancário e cartão corporativo avançando mais que o Pix

Christian de Cico, co-CEO e cofundador da Qive. Foto: Rafael Dabul/Divulgação Qive
O boleto segue dominante nos pagamentos entre empresas, mas perde espaço, e não para o Pix. É o que mostra o novo capítulo do estudo Panorama de Contas a Pagar da Qive, antiga Arquivei, divulgado pelo Let's Money nesta quinta-feira (15). A participação do boleto caiu de 77,13% das operações em 2025 para 72,96% no recorte de 2026, de 1º de janeiro a 15 de agosto. O Pix chegou a 2,03%.
O levantamento analisou 236,6 milhões de pagamentos B2B e R$ 3,3 trilhões movimentados em documentos fiscais eletrônicos. Em valor financeiro, o boleto passou de 73,74% para 70,42% do montante.
Quem mais avançou foi o depósito bancário, de 4,63% para 6,8% dos pagamentos, mas com ticket médio 31,1% menor, de R$ 25.174 para R$ 17.353. A transferência bancária ficou estável nas operações (5,40%), subiu de 9,71% para 11,90% no valor movimentado e tem o maior ticket médio, de R$ 29.063.
O cartão de crédito corporativo subiu de 2,13% para 3,28% e registrou 2,8 milhões de pagamentos, 62% mais operações que o Pix (1,7 milhão). Em valor, o Pix lidera: R$ 8,97 bilhões, contra R$ 4,62 bilhões do cartão, com ticket médio de R$ 5.040 no Pix e R$ 1.605 no cartão.
“A permanência do boleto no B2B tem muito a ver com o que fica registrado depois do pagamento. No boleto, eu consigo associar o pagamento a um documento e fazer essa conferência um a um”
Christian de Cico, co-CEO e cofundador da Qive
“A permanência do boleto no B2B tem muito a ver com o que fica registrado depois do pagamento. A transferência bancária é prática, mas não traz o mesmo nível de lastro documental. No boleto, eu consigo associar o pagamento a um documento e fazer essa conferência um a um”, afirmou Christian de Cico, co-CEO e cofundador da Qive. Segundo ele, um boleto liquidado via Pix continua registrado como boleto na nota, então parte do Pix corporativo pode estar escondida nesses dados.
O boleto liderou o valor movimentado nos 12 setores analisados, de 81,97% em Saúde e Farmacêutico a 51,16% no Agronegócio. Fundada em 2014 em São Carlos (SP), a Qive atende mais de 220 mil CNPJs e pediu licença de instituição de pagamento neste ano.
Por que importa. Pagamento entre empresas ainda roda quase todo em boleto porque o financeiro precisa casar cada pagamento com a nota fiscal. A fintech que entregar Pix ou cartão corporativo já conciliado com o documento disputa um mercado de trilhões que ainda nem trocou de meio de pagamento.
Fonte: Let's Money. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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