Deságio na antecipação de recebíveis sobe para 2,92% ao mês, maior alta da série, aponta Quick Soft
Taxa avançou 0,18 ponto em setembro, mesmo com corte da Selic; volume antecipado por cliente caiu 2,8% e prazo médio subiu para 50,8 dias

Lucas Fiuza e Rodrigo Eddine, co-CEOs da Quick Soft. Foto: Divulgação/Quick Soft
O custo médio para antecipar duplicatas e direitos creditórios subiu de 2,74% para 2,92% ao mês em setembro, segundo levantamento da Quick Soft, empresa de tecnologia para o mercado de crédito, divulgado nesta terça-feira (13) pelo Portal do Fomento e repercutido pelo FIDC News. A alta de 0,18 ponto percentual é a maior variação mensal desde o início da série, em setembro de 2025, e leva o deságio ao maior patamar desde dezembro de 2025.
O avanço ocorreu no mesmo mês em que o Copom cortou a Selic de 14,00% para 13,75% ao ano. Segundo o relatório, o preço do crédito para as empresas está respondendo mais ao risco da economia real do que à política monetária: quando a percepção de inadimplência sobe, o prêmio exigido por quem compra o recebível cresce mais do que o alívio no custo do dinheiro.
Os indicadores operacionais vão na mesma direção. O volume médio antecipado por cliente caiu 2,8% em setembro ante agosto, depois de altas de 0,9% em julho e 2,9% em agosto. O prazo médio das operações passou de 49,20 para 50,80 dias, ainda dentro da faixa histórica de 48 a 51 dias, sinal de que as empresas demoram mais para receber de seus clientes e recorrem à antecipação para cobrir o caixa.
O levantamento cita o PMI Composto da S&P Global para o Brasil, que ficou em 47,4 pontos em setembro, o terceiro mês seguido abaixo de 50, a linha que separa expansão de contração. O PMI Industrial marcou 44,8 pontos e o de Serviços, 49,2. A pesquisa de condições de crédito do Banco Central também indicou concessão restritiva no terceiro trimestre, com o risco de inadimplência como principal obstáculo.
“Taxas acima de 2,9% ao mês ficam difíceis de absorver para fornecedores menores, justamente o perfil de cedente que mais depende da antecipação.”
Análise do FIDC News sobre o levantamento da Quick Soft
Para os FIDCs lastreados em duplicatas, as factorings e as securitizadoras, o quadro tem dois lados, segundo a análise do FIDC News. Deságios mais altos elevam a rentabilidade bruta das carteiras compradas agora e abrem espaço para remunerar melhor as cotas, sobretudo as subordinadas. Por outro lado, vendas mais fracas geram menos recebíveis elegíveis para cessão, e investidores passaram a exigir prêmios de risco maiores, o que pressiona a subordinação das novas emissões.
A Quick Soft diz atender mais de 1.200 clientes institucionais e processar mais de R$ 400 bilhões em operações por ano, somando as operações das adquiridas Finanblue e RGBtec. A empresa, com sede em Blumenau (SC), é comandada pelos co-CEOs Lucas Fiuza e Rodrigo Eddine. Executivos do setor de securitização ouvidos no levantamento consideram indispensável a migração para a duplicata escritural, registrada em registradoras autorizadas pelo Banco Central, que impede que a mesma nota seja negociada mais de uma vez e pode ajudar a reduzir o próprio deságio.
Por que importa. Com o deságio perto de 3% ao mês, comprar recebível ficou mais rentável, e o que separa lucro de prejuízo é saber se a duplicata é real e se o sacado paga. A fintech que oferecer análise de cedente e sacado e registro escritural para FIDCs e factorings vende exatamente o que esse mercado mais precisa agora.
Fonte: FIDC News e Portal do Fomento, com dados da Quick Soft. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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