RecargaPay lucra R$ 14,7 milhões no semestre, cresce 50% em um ano e trata o crédito como complemento
Fintech que nasceu na recarga de celular tem 15 milhões de clientes, R$ 1,7 bilhão em ativos e carteira de crédito de R$ 269 milhões, segundo o IFData do Banco Central; CFO diz que o modelo é asset light

Divulgação/RecargaPay
A RecargaPay registrou lucro de R$ 14,742 milhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados do IFData, sistema do Banco Central, citados pelo Valor Econômico nesta sexta-feira (16). No fim de junho, o grupo somava R$ 1,738 bilhão em ativos, dos quais R$ 269,3 milhões estavam na carteira de crédito. A fintech, lucrativa desde 2023, não divulga detalhes do balanço.
Nascida como aplicativo de recarga de celular, a RecargaPay chegou a 15 milhões de clientes e diz que a base cresceu 50% só no último ano, com marketing mais forte voltado às classes C e D. A prateleira hoje inclui conta digital para pessoa física e jurídica, carteira digital, crédito, CDBs, investimentos, cartões e o Tap to Pay, que transforma o celular em maquininha. A empresa informa volume transacionado de R$ 33 bilhões em 2025 e mira receita anualizada de R$ 2 bilhões ao fim deste ano.
Em entrevista ao Valor, o novo CFO, Xavier Ibañez, que passou quase 20 anos no J.P. Morgan como analista do setor, disse que a estratégia da companhia não depende do crédito para dar lucro. Segundo ele, o modelo é asset light, com poucos ativos no balanço, e o foco de curto prazo é ser dono da jornada de pagamentos do usuário, apoiado na base tecnológica e no baixo custo para servir.
Mesmo como complemento, o crédito ganhou escala: a RecargaPay atingiu a marca de 1 milhão de contratos em um mês, com carteira de prazo médio curto, o que permite ajustar rapidamente os critérios de concessão. “No ciclo atual, temos muito a visão de que vamos crescer sem colocar o balanço em risco”, afirmou Ibañez.
“Temos uma estratégia muito diversificada, com produtos transacionais, relacionamento de banco principal e motores de rentabilidade e de crescimento da base. O crédito é um complemento”
Xavier Ibañez, CFO da RecargaPay
A meta é crescer com a geração de caixa do próprio negócio. A fintech captou US$ 120 milhões desde a fundação, a última vez em 2021, e o CFO não descarta nova rodada. “Não dependemos de capital externo para crescer, mas, se surgirem oportunidades para acelerar esse crescimento... Meu trabalho é deixar a empresa pronta, em números, governança, auditoria e infraestrutura tecnológica”, disse. Para o fundador e CEO, Rodrigo Teijeiro, a RecargaPay se tornou a principal fintech independente do Brasil, com “crescimento contínuo, inteligente e lucrativo” e estrutura regulatória completa.
Por que importa. A RecargaPay mostra que dá para lucrar com fintech de varejo sem carregar um balanço pesado de crédito: a receita vem de pagamentos, conta e maquininha no celular, e o empréstimo entra por cima, com prazo curto. Para quem está montando uma fintech, começar por um produto de uso frequente para as classes C e D e só depois oferecer crédito é um caminho que já paga a conta.
Fonte: Valor Econômico. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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