Revolut, de US$ 115 bilhões, quer fazer do Brasil seu laboratório de crédito para o mundo
Hoje a fintech britânica empresta só de 3% a 4% dos depósitos. O CEO no Brasil, Glauber Mota, vê no gosto do brasileiro pelo cartão de crédito a chance de liderar esse negócio dentro do grupo.

Foto: Nik Storonsky, fundador e CEO da Revolut. Web Summit/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
A Revolut quer que a operação brasileira vire uma espécie de laboratório de produtos de crédito para outros mercados, disse o CEO da Revolut Brasil, Glauber Mota, ao NeoFeed, em entrevista publicada nesta quarta-feira (7). “Por enquanto, ainda somos muito comedidos em fazer crédito, emprestamos de 3% a 4% [dos depósitos]”, afirma. A aposta se apoia no hábito do brasileiro de pagar no cartão de crédito, enquanto o europeu prefere o débito.
A diferença de modelo aparece na comparação com o Nubank feita pelo BTG Pactual em junho de 2026: a Revolut tinha US$ 65,3 bilhões em depósitos e US$ 2,9 bilhões em crédito; o Nubank, US$ 41,9 bilhões em depósitos e US$ 32,7 bilhões em crédito. Fundada em 2015, a Revolut tem mais de 80 milhões de clientes e foi avaliada em US$ 115 bilhões numa venda secundária de ações em julho. Em 2025, a receita do grupo chegou a US$ 6 bilhões (alta de 46%) e o lucro antes de impostos a US$ 2,3 bilhões (alta de 57%). A carteira global de crédito cresceu 120% no ano.
No Brasil, a empresa ampliou o crédito em março para clientes elegíveis de todas as categorias de cartão e lançou o plano Ultra, que separa os benefícios do cartão do limite, definido pela análise de renda. Outra ideia no radar é permitir que brasileiros paguem com Pix no exterior pela Revolut. O próximo passo previsto é o Revolut Business em 2027: lá fora, a plataforma para empresas respondeu por 16% da receita global em 2025 e tinha 767 mil clientes.
“Não somos uma filial de banco estrangeiro. Somos uma instituição brasileira que usa a Revolut global [para crescer].”
Glauber Mota, CEO da Revolut Brasil
Por que importa. Uma fintech avaliada em US$ 115 bilhões escolheu o Brasil para testar crédito porque o brasileiro paga no cartão. É o mesmo cliente que está ao alcance de quem monta uma fintech aqui.
Fonte: NeoFeed. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
As notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- GOVERNANÇA
XP troca conselho: sai Martín Escobari, da General Atlantic, e entra Rodrigo Kede Lima, executivo de IA da Microsoft com mais de 30 anos em tecnologia
Ex-IBM e Totvs, novo conselheiro chega para usar inteligência artificial como diferencial competitivo, diz Guilherme Benchimol

- MARKETING
Agibank assume o patrocínio máster do Santos por 8 jogos no lugar da Novibet, barrada pela MP das bets
Banco volta a patrocinar um clube de futebol depois de mais de oito anos; Novibet pagava R$ 35 milhões fixos em contrato de três temporadas, hoje suspenso

- SEGURANÇA
CrowdStrike revela grupo brasileiro que tirou ao menos 6 segredos da nuvem de uma instituição financeira e montou painel de Pix em massa
Relatório de Caça a Ameaças 2026 descreve o SLIM SPIDER, que invadiu a nuvem de uma instituição no Brasil em março; ataques de eCrime a ambientes de nuvem cresceram 171%

- BOLSA
Agibank sobe 8,9% e é a única das 7 fintechs brasileiras em Nova York a fechar a semana em alta
Inter cai 11,68%, Nu Holdings recua 9,59% e Stone, 9,32%, depois da euforia da semana anterior; Agibank anunciou patrocínio master do Santos nesta sexta

