Ripio, dona da antiga BitcoinTrade, desliga o Pix e as negociações no Brasil em 29 de outubro, a um dia do prazo do BC para corretoras de cripto
Clientes têm até 30 de novembro para levar o saldo à Ripio Wallet; o CEO Sebastián Serrano diz que a posição da empresa no país “permanece firme”, mas não explicou como a operação vai continuar

Sebastián Serrano, cofundador e CEO da Ripio. Foto: Tishoteles/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
A Ripio, corretora de criptomoedas de origem argentina que comprou a brasileira BitcoinTrade em 2021, vai deixar de aceitar o Pix para compra e venda de criptoativos no Brasil em 29 de outubro. Na mesma data, todas as ordens de negociação abertas na plataforma serão encerradas de uma vez. O aviso foi enviado aos clientes por e-mail e revelado pelo Livecoins na terça-feira (21).
Segundo a mensagem, quem tem saldo na corretora deve transferir os valores para a Ripio Wallet, a carteira digital da mesma marca, até 30 de novembro. Quem não fizer isso terá o saldo enviado automaticamente para a carteira. Com isso, a Ripio Trade, a plataforma de negociação, deixa de funcionar no Brasil.
O e-mail não explica o motivo. A data coincide com a reta final do prazo do Banco Central: até sexta-feira (30), toda empresa que já opera com criptoativos no país precisa pedir autorização para funcionar como prestadora de serviços de ativos virtuais (PSAV). Quem não pedir terá de encerrar a operação e devolver o saldo dos clientes, e, a partir de 6 de novembro, bancos e instituições reguladas ficam proibidos de atender prestadoras não autorizadas, o que corta o acesso a contas e ao Pix.
Não está claro se a Ripio deixou de protocolar o pedido ou se a decisão tem outra causa. A assessoria da empresa não foi localizada pelo Livecoins. Questionado pelo portal no X, o cofundador e CEO Sebastián Serrano negou que a corretora esteja saindo do país. “Nossa posição no Brasil permanece firme”, respondeu, sem detalhar como a operação seguirá.
“Nossa posição no Brasil permanece firme”
Sebastián Serrano, cofundador e CEO da Ripio, ao Livecoins
A Ripio vinha ampliando a aposta no real digital: em julho de 2026, lançou a wBRL, stablecoin atrelada ao real, na rede Celo. A Ripio Brasil é a antiga BitcoinTrade, uma das primeiras corretoras de bitcoin do país, adquirida pelo grupo argentino em 2021.
Por que importa. Quando uma corretora desliga o Pix, os clientes não somem: procuram outra casa para guardar e negociar cripto. A regra do BC vai tirar do mercado quem não se licenciar, e isso abre dois negócios para fintechs brasileiras: absorver essa base com uma operação autorizada ou alugar a licença e a infraestrutura para quem quer oferecer cripto no próprio app sem pedir autorização própria, o modelo que o mercado chama de Crypto as a Service.
Fonte: Livecoins. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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