Rocelo Lopes, da Truther e da Rezolve AI, revela a Samba Network, blockchain de 100 mil transações por segundo com QR Code de stablecoin inspirado no Pix
Rede ainda em desenvolvimento quer ser infraestrutura comum para emissores de stablecoins; protocolo SS4P padroniza o pagamento por QR Code entre carteiras e corretoras

Rocelo Lopes, criador da Truther e Chief of Digital Currency da Rezolve AI. Foto: Divulgação/BeInCrypto
O empresário brasileiro Rocelo Lopes, criador da carteira Truther e Chief of Digital Currency da Rezolve AI, revelou a Samba Network, uma blockchain desenhada para pagamentos com stablecoins. O anúncio foi feito em entrevista ao BeInCrypto, publicada nesta sexta-feira (23), durante o Plan B Forum, em Lugano, na Suíça. Segundo Lopes, a rede está sendo construída para processar até 100 mil transações por segundo, com mecanismos de privacidade e funções específicas para operações financeiras.
O nome é uma homenagem ao Brasil. A proposta é que diferentes emissores de stablecoins usem a mesma infraestrutura para pagamentos. Lopes citou a Tether e projetos brasileiros de stablecoin como possíveis emissores na rede. Ele trabalha no projeto com outros dois desenvolvedores, e a blockchain ainda não está no ar.
Junto com a rede, o empresário apresentou o SS4P (Stablecoin Standard for Payments), um protocolo que padroniza a geração de QR Codes de stablecoin para que carteiras e corretoras diferentes leiam o mesmo código. Lopes diz ter se baseado no Pix para escrever grande parte do white paper e afirma que a estrutura do protocolo já está pronta. Falta, segundo ele, uma blockchain adequada para suportar esse modelo de pagamento, papel reservado à Samba.
Um dos problemas que a rede quer resolver é a privacidade. Hoje, quem envia uma stablecoin de uma carteira para outra permite que o destinatário consulte seu saldo na blockchain, o que, para Lopes, não pode acontecer num meio de pagamento. Ele vê espaço para a infraestrutura em países sem pagamento instantâneo desenvolvido, como Bolívia e Nigéria.
“Eu me baseei no Pix para criar grande parte desse white paper. Estamos conversando com grandes players para padronizar isso”
Rocelo Lopes, criador da Truther e Chief of Digital Currency da Rezolve AI, ao BeInCrypto
A Truther já conecta stablecoins ao Pix. Por causa das dificuldades regulatórias, a empresa estruturou sua operação em El Salvador; no Brasil, usa uma ponte de tokenização de depósitos. Um estrangeiro troca USDT por uma stablecoin de reais e, ao pagar no Brasil, essa stablecoin é queimada e o destinatário recebe os reais pelo Pix em segundos.
Lopes, que atua com criptomoedas desde 2013, criticou o custo das licenças no Brasil, que, segundo ele, pune startups e favorece grandes players, e defendeu exigências proporcionais ao volume de custódia. Ele também citou o movimento das bandeiras: a Mastercard cria infraestrutura para oferecer carteiras a fintechs, e a Visa já liquida operações em stablecoins.
Por que importa. Quem padronizar o pagamento com stablecoin cobra pedágio de todas as carteiras que aderirem, como o Pix fez com o QR Code no Brasil. E a ponte entre stablecoin e Pix já é um negócio: turista e empresa estrangeira querem pagar em reais sem conta no Brasil, e a fintech que faz essa conversão fica com o spread de cada transação.
Fonte: BeInCrypto. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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