Scanntech recebe US$ 180 milhões liderados pela L Catterton, e Warburg vende parte
A empresa de origem uruguaia, que processa mais de R$ 1 trilhão em vendas de supermercados por ano, vende cerca de 30% do capital a um valuation de cerca de 5,5 vezes a receita anual. Partners Group e Bradesco também entram.

Corredor de supermercado, setor cujas vendas a Scanntech monitora (Foto: Tessa Bury/Wikimedia Commons, CC BY 4.0)
A L Catterton está liderando um investimento de cerca de US$ 180 milhões na Scanntech, empresa de tecnologia que monitora em tempo real as vendas dos supermercados. O acordo foi assinado na quinta-feira (8), depois de praticamente um ano de negociação, segundo o Brazil Journal, que ouviu fontes próximas ao negócio. Partners Group e Bradesco também participam da rodada.
A operação mistura dinheiro novo no caixa da empresa com a compra de ações de sócios atuais, numa divisão próxima de metade para cada lado. O valuation fica em cerca de 5,5 vezes a receita anual, e os novos acionistas devem ficar com uma fatia próxima de 30% da companhia.
A Warburg Pincus, que investiu US$ 40 milhões na Scanntech em 2023, vende parte da sua posição e segue no negócio. “A Warburg decidiu devolver um pouco do capital e renovou a aposta para surfar o upside por mais tempo”, disse uma fonte ao Brazil Journal. General Atlantic, GIC e Advent também participaram do processo ao longo do último ano. A Hindiana, veículo de investimentos de Alfredo Villela, continua como acionista. O JP Morgan assessorou a Scanntech.
A Scanntech processa mais de R$ 1 trilhão em vendas do varejo por ano. Ela captura as transações feitas nos caixas dos supermercados e transforma esses dados em informação sobre preços, volumes, participação de mercado e promoções para fabricantes e varejistas. A empresa cresce cerca de 30% ao ano, é rentável e vai usar parte do dinheiro para crescer fora do Brasil: já está no México e na Colômbia e quer entrar em novos mercados a partir do ano que vem.
“A Warburg decidiu devolver um pouco do capital e renovou a aposta para surfar o upside por mais tempo”
fonte próxima à negociação, ao Brazil Journal
A história começou no Uruguai em 1992, quando Raúl Polakof, Benny Szylkowski e Soledad Fernández criaram um software que transformava computadores em caixas registradoras para pequenos comerciantes. Dali nasceu uma rede que permitia aos mercadinhos oferecer serviços financeiros e promoções. A Sequoia Capital fez na Scanntech o seu primeiro investimento na América Latina, de US$ 10 milhões, em 2011. A empresa chegou ao Brasil em 2013, e o país virou o seu principal mercado. Polakof continua à frente da companhia.
Por que importa. Num ano de poucos IPOs e fundos seletivos, um cheque de US$ 180 milhões foi para uma empresa que começou dando a mercadinhos um caixa e serviços financeiros. Para quem tem ou quer ter fintech, a lição é que dado de transação, quando cresce e dá lucro, atrai os maiores investidores do mundo.
Fonte: Brazil Journal. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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