Shopee chega a R$ 8,4 bilhões em crédito com dois FIDCs, alta de 183,5% em um ano, aponta BTG
Carteira já supera os R$ 8 bilhões que o Mercado Livre tinha em agosto, mas atrasos de 1 a 90 dias subiram para 8,1% em setembro

Centro de distribuição da Shopee · Foto: Divulgação/Shopee
A carteira de crédito da Shopee no Brasil chegou a cerca de R$ 8,4 bilhões em setembro, somando os dois Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) da companhia, segundo relatório do BTG Pactual divulgado nesta segunda-feira (19) pela Mercado&Consumo. O volume representa alta de 183,5% em um ano e de 5% sobre agosto.
O principal veículo da expansão é o MONEE FIDC I, fundo que existe desde 2022, mas só ganhou escala a partir de 2025. A carteira com prazo inferior a 360 dias saiu de R$ 1,5 bilhão em janeiro do ano passado para R$ 7,8 bilhões. Um segundo FIDC, criado no segundo semestre de 2025, amplia a flexibilidade de funding e, para o BTG, pode indicar preparação para uma expansão ainda maior.
Para os analistas, a Shopee usa o crédito como parte de uma estratégia de ecossistema que vai além do marketplace: financiar capital de giro de vendedores, ampliar o financiamento ao consumidor, aumentar a conversão e estimular compras recorrentes, com os dados do próprio marketplace ajudando na análise de risco.
O relatório compara a operação com a do Mercado Livre, cuja carteira via FIDCs é mais madura. Em agosto, o portfólio do Mercado Livre somava R$ 8 bilhões, com alta de 5% no mês e de 16% em um ano; os atrasos de 1 a 90 dias estavam em 7,4% e os acima de 90 dias, em 7,3%.
“O recado estratégico é claro: a Shopee parece estar construindo um ecossistema mais amplo de comércio e crédito no Brasil”
Analistas do BTG Pactual, em relatório citado pela Mercado&Consumo
O banco também aponta riscos. Na Shopee, os atrasos entre 1 e 90 dias chegaram a 8,1% da carteira em setembro, alta de 0,99 ponto percentual no mês e de 1,42 ponto em um ano. Como os dois fundos são jovens e a carteira cresce rápido, parte dos empréstimos ainda não teve tempo de migrar para faixas mais longas de atraso, o que torna os indicadores atuais menos conclusivos.
Para o BTG, o movimento mostra uma mudança no e-commerce brasileiro: as plataformas passam a disputar não só preço, sortimento e logística, mas também o relacionamento financeiro com compradores e vendedores.
Por que importa. Quem tem os dados de venda tem a melhor análise de risco, e o FIDC transforma esse dado em funding sem precisar de banco. A mesma conta vale para marketplaces, ERPs e plataformas de nicho: a fintech que monta a estrutura do fundo, a esteira de crédito ao lojista e a cobrança vende exatamente o que a Shopee construiu em casa.
Fonte: Mercado&Consumo (relatório do BTG Pactual); NeoFeed. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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