SiloReal transforma grãos e gado em garantia de crédito e já verifica US$ 1,2 bilhão em ativos
Agfintech argentina com operação no Brasil investiu US$ 5 milhões em quatro anos, fechou rodada de US$ 2,5 milhões e vende a bancos, seguradoras e exportadores um passaporte digital de cada ativo do campo.

A SiloReal, agfintech argentina com operações na Argentina e no Brasil, informa ter US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 5,98 bilhões) em ativos sob verificação em outubro de 2026, entre grãos armazenados em silos-bolsa, gado e grãos em silos metálicos. A empresa digitaliza esses bens para que sirvam de garantia em crédito, seguro e operações comerciais sem sair da propriedade. Os números foram publicados nesta terça-feira (13) pela Forbes Brasil, a partir de reportagem da Forbes Argentina.
Em quatro anos de atividade, a SiloReal investiu US$ 5 milhões no desenvolvimento da tecnologia, tem equipe de 20 a 24 pessoas e concluiu recentemente uma rodada de US$ 2,5 milhões (R$ 12,47 milhões) para financiar a expansão. Segundo o fundador, a empresa já gera receita suficiente para se sustentar. Ela soma US$ 55 milhões em transações verificadas, ligadas a crédito, compra e venda e contratos a termo, e US$ 107 milhões em seguros emitidos sobre ativos verificados, além de mais de 100 mil toneladas de grãos, 12.721 bovinos, 90 contratos administrados e 80 créditos concedidos.
O sistema monta uma espécie de passaporte digital de cada ativo, o Ativo Físico Verificado (AFV), com imagens de satélite, fotos georreferenciadas, amostras de grãos e dados de colheitadeiras e carretas. No gado, combina brincos de identificação, reconhecimento fotográfico e o documento eletrônico de trânsito, e permite trocar animais dados em garantia para manter linhas de crédito rotativo.
“O ativo existe: o que faltava era identidade e comprovação”, resume Delfín Uranga, fundador e CEO da SiloReal, empreendedor do agronegócio que teve a ideia ao olhar os bens das propriedades da família que os bancos não enxergavam na hora de dar crédito. “Funcionamos como uma agência de viagens: emitimos uma passagem digital para que a confiança e o valor do ativo possam viajar até um banco, uma seguradora ou um comprador”, diz.
“O ativo existe: o que faltava era identidade e comprovação.”
Delfín Uranga, fundador e CEO da SiloReal
O modelo é B2B2F (de empresa para empresa para o produtor): os clientes são bancos, seguradoras e exportadores, e o produtor rural é o beneficiário final. A entrada começou com quatro seguradoras que aceitaram garantir a existência dos grãos sem vistoria presencial. Depois vieram instituições financeiras, entre elas o Banco Galicia, que queria trocar empréstimos baseados só na assinatura do tomador por um modelo com garantias reais, o Santander e a plataforma Nera, que conecta instituições financeiras ao agro. A empresa estima que a Argentina tenha cerca de US$ 100 bilhões em grãos e gado, contra um crédito agropecuário de cerca de US$ 16 bilhões. No Brasil, segundo mercado, trabalha com silos metálicos e pecuária por meio de parcerias locais.
Por que importa. Por que importa: o produtor rural tem patrimônio no campo que o banco não consegue usar como garantia, e quem resolve essa prova destrava crédito com risco menor. Para uma fintech, verificar e monitorar garantias reais (grãos, gado, máquinas) é um negócio B2B com receita de banco, seguradora e FIDC do agro, num país em que o crédito rural movimenta centenas de bilhões por ano.
Fonte: Forbes Brasil. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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