Sol Agora, fintech de crédito solar da Brookfield, lança gestora com R$ 400 milhões e mira R$ 1,5 bilhão em 2027
Sol Tempus Capital quer dobrar o patrimônio até dezembro e transformar o crédito que a fintech origina em produto de investimento para institucionais, estrangeiros e varejo

Flávio Suchek, CEO da Sol Agora e da Sol Tempus Capital (Foto: Divulgação/Sol Agora)
A Sol Agora, fintech de crédito para energia solar investida da canadense Brookfield, lançou sua própria gestora de recursos, a Sol Tempus Capital, segundo a Exame nesta terça-feira (20). A casa começa com cerca de R$ 400 milhões sob gestão, quer chegar a R$ 800 milhões até dezembro e a R$ 1,5 bilhão em 2027.
A gestora foi autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a atuar como administradora de carteiras de valores mobiliários. Flávio Suchek, CEO da Sol Agora, será também o CEO da Sol Tempus, e Eduardo Solamone, que liderava a área de investimentos da fintech, assume como CIO. A base de investidores já inclui capital estrangeiro, e a meta é ampliar essa fatia.
Desde que foi criada, em 2022, a Sol Agora concedeu mais de R$ 2,3 bilhões em financiamentos para mais de 95 mil clientes e estruturou cinco fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). Segundo a empresa, a demanda por crédito solar supera a capacidade atual de financiamento, e a gestora própria serve para ampliar as fontes de recursos.
“O mercado de crédito privado brasileiro amadureceu e hoje como classe de ativo consolidada atrai amplo espectro de investidores, que inclui fundos institucionais, capital estrangeiro e varejo em busca de ativos com lastro na economia real e fluxo de caixa previsível”, afirma Suchek. “A Sol Tempus Capital nasce e se posiciona para capturar esse movimento estrutural, transformando o crédito solar que já financiamos em um produto de investimento maduro para esse público.”
“Nascemos verticalizados. Originamos, estruturamos e gerimos o mesmo crédito”
Eduardo Solamone, CIO da Sol Tempus Capital
A aposta é que os dados de cada financiamento ajudem a medir o risco das carteiras e a baratear a captação. Segundo Solamone, a estrutura permite acompanhar o desempenho de cada contrato, o funcionamento dos equipamentos financiados e o histórico de pagamento dos clientes. “Nascemos verticalizados. Originamos, estruturamos e gerimos o mesmo crédito, com dados de performance em nível de contrato, telemetria dos ativos e histórico comportamental do tomador que nenhum gestor externo teria”, diz o CIO.
O mandato inicial inclui crédito privado ligado a energia solar, infraestrutura, transição energética e setor imobiliário, e a casa avalia criar veículos como FI-Infra e FIP-IE. A prioridade, porém, é consolidar a gestão dos créditos da própria Sol Agora. “Por ora, nosso foco é 100% o crédito que nós mesmos originamos. A expansão para carteiras de terceiros e novas teses de crédito privado está no radar, mas só faz sentido depois de consolidarmos essa base”, afirma Solamone.
Por que importa. Quem origina crédito com dado próprio pode ganhar duas vezes: no juro do empréstimo e na taxa de gestão do fundo que compra esse crédito. Para quem tem ou quer montar fintech de crédito em um nicho (energia, saúde, educação), o caminho da Sol Agora mostra que a carteira bem medida vira produto de investimento e abre funding que não depende de banco.
Fonte: Exame. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
As notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- FUNDOS
Base DTVM, administradora de FIDCs criada por sócios da Buriti, mira R$ 10 bilhões no primeiro ano
Em operação desde março, a casa já tinha R$ 2 bilhões em cerca de 50 fundos em três meses e incorpora, em média, três fundos por semana

- INFRAESTRUTURA
Tecban, dona do Banco24Horas, capta R$ 535 milhões em debêntures e mira gestão de agências dos bancos
Dinheiro paga dívida mais cara, empurra o próximo vencimento para 2029 e abre espaço para investir até R$ 500 milhões por ano; meta é ter dez espaços multimarcas até o 1º trimestre de 2027

- ANTIFRAUDE
Incognia lança antifraude por localização que identificou 70% dos golpes em banco com 80 milhões de clientes
Real-Time Scam Prevention cruza o histórico de lugares de quem paga e de quem recebe para barrar golpes em que o próprio cliente autoriza a transferência

- OPEN FINANCE
Com infraestrutura do Iniciador, Noh lança plano de R$ 39,90 que paga as contas do casal direto do banco de cada um
Conta Inteligente usa a Jornada Sem Redirecionamento do Open Finance para debitar cada despesa da casa nas contas dos dois parceiros, com IA que sugere de qual banco sai o pagamento

