Startups da América Latina captam US$ 4,69 bilhões em 2025, alta de 65%, mostra Endeavor
Estudo LATAM VC 2026, da Endeavor e da Glisco Partners, aponta o maior volume desde 2022, com Brasil e México somando 81% do capital; o número de rodadas, porém, segue 30% abaixo do pico.

As startups da América Latina levantaram US$ 4,69 bilhões em capital de risco em 2025, alta de 65% sobre 2024 e o maior volume desde 2022, segundo o estudo LATAM VC 2026, da rede de empreendedores Endeavor e da gestora de private equity Glisco Partners, divulgado nesta terça-feira (13) e antecipado pela Bloomberg Línea.
Brasil e México seguem na liderança e concentraram, juntos, 81% do capital levantado na região. O valor médio por rodada subiu de US$ 6,6 milhões em 2024 para US$ 8,5 milhões em 2025. O número de rodadas, no entanto, cresceu menos que o dinheiro: foram 554 operações, 30% abaixo das 788 de 2022, sinal de que os investidores estão concentrando recursos em empresas com tração e modelo de negócio comprovado.
“O capital está voltando para a América Latina, mas a questão mais importante já não é quanto dinheiro está entrando, e sim quantas empresas conseguem crescer”, afirmou Alfredo Castellanos, sócio-gerente da Glisco Partners. “A recuperação é real, embora ainda seja parcial.” Cinco anos depois, o capital de risco na região está em 1,2 vez o nível de 2020, contra 2,8 vezes nos Estados Unidos e 2,2 vezes na Europa.
O estudo mostra o funil estreitando: em 2025, as rodadas iniciais (seed) foram 56% das operações, mas levaram só 7% do capital. No primeiro semestre de 2026, a Série B atraiu 13% dos recursos e a Série C em diante, 60%. Investidores latino-americanos puseram 56% do dinheiro das fases iniciais, enquanto os estrangeiros responderam por 72% da Série B e 81% da Série C. As saídas seguem travadas: foram 38 fusões e aquisições em 2025, contra 37 em 2024 e 55 em 2022.
“O capital está voltando para a América Latina, mas a questão mais importante já não é quanto dinheiro está entrando, e sim quantas empresas conseguem crescer. A recuperação é real, embora ainda seja parcial.”
Alfredo Castellanos, sócio-gerente da Glisco Partners
“O desafio agora é transformar essa atividade em escala e a escala em saídas: que mais empresas avancem da fase seed para as séries A e B, cheguem à fase de crescimento e gerem retornos que voltem a alimentar o ciclo”, disse Vincent Speranza, sócio-gerente da Endeavor México. Entre o primeiro semestre de 2025 e o de 2026, o investimento total caiu 25%, mas o capital para empresas que desenvolvem ou usam inteligência artificial subiu de US$ 165 milhões para US$ 327 milhões. O relatório analisa 3.427 startups e 4.770 rodadas entre 2011 e o primeiro semestre de 2026 na Argentina, no Brasil, no Chile, na Colômbia e no México.
Por que importa. Por que importa: o dinheiro voltou, mas foi para quem já prova receita: o cheque médio subiu para US$ 8,5 milhões enquanto o número de rodadas caiu. Para quem monta fintech, a mensagem é clara: modelo que gera caixa cedo, como crédito com boa cobrança, tarifa de pagamento ou software cobrado por uso, é o que atrai os fundos estrangeiros que pagam as Séries B e C.
Fonte: Bloomberg Línea. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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