Unico barra R$ 19 bilhões em tentativas de fraude no semestre, vê golpes sofisticados crescerem 24 vezes e mira alta de 30% na receita
Unicórnio brasileiro de identidade digital atende os cinco maiores bancos privados, tem cerca de 800 clientes no país e já está em 20 países após aquisições nos Emirados, Israel, México e Argentina

Fernanda Beato, general manager da Unico no Brasil. Foto: Reprodução/Brazil Economy
A Unico, empresa brasileira de verificação de identidade por reconhecimento facial, diz ter evitado R$ 19 bilhões em tentativas de fraude na América Latina no primeiro semestre de 2026. O número, divulgado pela própria companhia ao Brazil Economy na segunda-feira (19), mede o valor das operações barradas pelos seus sistemas, e não receita ou dinheiro recuperado.
Segundo a empresa, as tentativas de fraude classificadas como sofisticadas cresceram 24 vezes entre 2025 e o primeiro semestre de 2026, puxadas por aplicativos de deepfake que imitam rosto e voz de pessoas reais. A Unico não detalhou os volumes absolutos. “Nossas auditorias recentes revelam um novo perfil de fraudador: indivíduos comuns usando apps de deepfake para se passar por familiares e aprovar cadastros ou transações”, disse Fernanda Beato, general manager da Unico no Brasil.
No país, a Unico atende cerca de 800 clientes em 23 segmentos, entre eles os cinco maiores bancos privados e nove dos dez maiores varejistas com operação nacional. A companhia afirma que sua base biométrica cobre o equivalente a 96% da população economicamente ativa brasileira e que a verificação leva cerca de dois segundos. A 99, aplicativo de transporte do grupo chinês DiDi, usa a tecnologia para confirmar a identidade dos motoristas.
Fundada em 2007, a Unico virou unicórnio em 2021 e chegou a ser avaliada em US$ 2,6 bilhões, com SoftBank, General Atlantic e Goldman Sachs entre os investidores. Desde 2023, cresce também por aquisições: incorporou operações nos Emirados Árabes Unidos, em Israel, no México e na Argentina, onde pretende abrir escritório em 2027, e hoje está em 20 países, entre eles Estados Unidos, Portugal e Cazaquistão.
“As fraudes sofisticadas cresceram 24 vezes se considerarmos o ano de 2025 e o primeiro semestre de 2026. Trata-se de uma ameaça para a sociedade como um todo e que nenhuma empresa consegue combater sozinha, sem parceiros tecnológicos.”
Fernanda Beato, general manager da Unico no Brasil, ao Brazil Economy
A empresa projeta alta de mais de 30% na receita em 2026, depois de crescer em ritmo parecido em 2025. “A gente desenvolveu uma tecnologia única para a detecção de fraude que ninguém mais consegue fazer, então inevitável que a gente se expanda globalmente”, afirmou Vinicius Miranda, gerente de produtos da Unico, que passou sete anos no Itaú antes de entrar na companhia.
Por que importa. Toda fintech que abre conta, concede crédito ou libera Pix precisa provar que o cliente é quem diz ser, e paga por isso a cada cadastro e a cada transação de risco. Com o golpe de deepfake ao alcance de qualquer um, antifraude virou custo obrigatório do setor, e quem vende essa checagem como serviço, ou a embute no próprio BaaS, ganha uma receita que cresce junto com cada nova fintech do mercado.
Fonte: Brazil Economy. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
As notícias de fintech que importam, em 3 minutos. Todos os dias, às 7h, de graça.
Leia também
- FIDC
Creditas capta R$ 1,4 bilhão em FIDC de crédito automotivo, e 188 fundos compram as cotas no mesmo dia
Oferta do Creditas Auto XII foi registrada e encerrada na CVM nesta quinta-feira (22), coordenada pelo Banco Votorantim e com Daycoval na administração; é três vezes a primeira emissão do fundo, de R$ 450 milhões

- CRIPTO
OKX, Mercado Bitcoin e B3 já estão na fila da licença cripto do Banco Central; quem não pedir até 30 de outubro terá de parar e devolver o saldo dos clientes
Advogados apontam risco de processo criminal para quem errar o formulário e lembram que o Crypto as a Service, versão cripto do BaaS, ainda não tem regra própria

- GENTE
Franq, que originou R$ 2,4 bilhões em 2025, contrata ex-Citi e Itaú para nova área de investimentos
Marcia Parke, que passou duas décadas no Citibank, vai integrar investimentos, seguros e previdência à plataforma de bancários autônomos, com foco na alta renda

- CRIPTO
Revolut encerra cripto no Brasil e vende ativos que restarem em 25 de novembro
Fintech britânica suspendeu as compras em 21 de outubro, às vésperas do prazo de 30 de outubro para os pedidos de autorização no Banco Central, e diz que segue no país com a conta multimoedas

