Ventoá compra 30% da Factum IA, legaltech que usa IA para achar bens de devedores e já mapeou R$ 400 milhões em dívidas
Negócio avaliou a startup de Campinas em cerca de R$ 7 milhões; plataforma quer vender assinaturas a bancos, FIDCs, securitizadoras e escritórios de advocacia

Menotti Franceschini, sócio da Ventoá. Foto: Divulgação/Ventoá
A gestora Ventoá comprou 30% da legaltech Factum IA, especializada em recuperação de crédito de disputas judiciais. O negócio considerou um enterprise value de cerca de R$ 7 milhões para a startup, segundo o Exame INSIGHT, que divulgou a operação nesta quinta-feira (22).
A Factum IA usa inteligência artificial para localizar patrimônio de devedores. Segundo a Ventoá, a plataforma já tem R$ 400 milhões em dívidas mapeadas e uma taxa de sucesso de 60% na localização de ativos em processos parados há mais de três anos. Em vez de consultas isoladas, o sistema cruza informações de diferentes bases, como mudanças no quadro de sócios, vínculos entre empresas e relações entre pessoas físicas e jurídicas.
O modelo de receita é de assinaturas corporativas e acompanhamento contínuo de carteiras. Com a entrada da gestora, a sociedade quer levar a plataforma a bancos, instituições financeiras, fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), securitizadoras e escritórios de advocacia. Até aqui, a startup foi construída com recursos limitados, num modelo próximo do bootstrap, financiado pelos próprios empreendedores.
“Ferramentas convencionais entregam dados pulverizados, deixando para o profissional a tarefa complexa de tentar conectar as informações manualmente”, afirma Armando Zanin, fundador da Factum IA e especialista em investigação patrimonial.
“O maior desafio na recuperação de ativos no Brasil não é a ausência de decisões judiciais favoráveis, mas a distância entre ganhar um processo e efetivamente receber o valor devido.”
Menotti Franceschini, sócio da Ventoá
O mercado é grande. A legaltech estima que a Justiça fechou o último período com 75,5 milhões de processos em tramitação e taxa de congestionamento de 62,6%, com mais de 30 milhões de execuções paradas por falta de bens localizados. Pelas contas da Factum IA, essas cobranças travadas somam R$ 556 bilhões em ativos represados, sendo R$ 324 bilhões no setor público e R$ 232 bilhões no privado.
“O maior desafio na recuperação de ativos no Brasil não é a ausência de decisões judiciais favoráveis, mas a distância entre ganhar um processo e efetivamente receber o valor devido”, diz Menotti Franceschini, sócio da Ventoá.
Com cerca de dois anos de atuação, a Ventoá tem 17 empresas no portfólio, com participações médias entre 25% e 30%, que somam mais de R$ 300 milhões (valor das participações, não das empresas). A meta é chegar a R$ 1 bilhão em até cinco anos. Entre os sócios, a experiência anterior inclui a venda da Softway para a Thomson Reuters e uma saída numa operação secundária da Movile, em 2022.
Por que importa. Quem compra carteira de crédito vencido, como FIDCs e securitizadoras, ganha dinheiro na diferença entre o preço pago e o que consegue recuperar, e o gargalo é achar o bem do devedor. Uma ferramenta que encurta essa busca vira assinatura recorrente para quem vive desse ativo, e o Brasil tem R$ 556 bilhões parados esperando por ela.
Fonte: Exame INSIGHT. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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