XP Asset dobra FIDCs para R$ 1,4 bilhão depois de comprar a Augme e mira R$ 10 bilhões até 2027
Gestora diz ter R$ 3 bilhões em FIDCs contratados até dezembro e prepara teses de consignado para servidores e antecipação de recebíveis de cartão.

Torres na região da avenida Faria Lima, em São Paulo. Foto: Divulgação/XP Asset
A XP Asset, gestora do grupo XP, dobrou o patrimônio que administra em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) seis meses depois de concluir a compra da Augme Capital, em março. A carteira saiu de R$ 700 milhões para R$ 1,4 bilhão, segundo entrevista do CEO da gestora, Leandro Bousquet, publicada pelo NeoFeed na terça-feira (6).
A meta é chegar a R$ 3 bilhões em FIDCs no fim deste ano, volume que a gestora diz já estar contratado, e a R$ 10 bilhões no fim de 2027. Parte do salto não vem de fundos novos: em outubro, a XP Asset deve assumir a gestão de um FIDC de consignado CLT de R$ 700 milhões, no qual já era a principal cotista. Perto de R$ 1 bilhão virá de captações já programadas nos fundos da carteira.
Com a aquisição, a XP incorporou Marcelo Urbano, fundador da Augme, e o time dele. Até então, a gestora investia em FIDCs por meio de fundos de renda fixa e de special sits, mas não fazia a gestão desses veículos. Hoje a grade inclui quatro fundos que financiam energia solar em residências, dois de capital de giro para escolas, antecipação para transportadoras e crédito para tratamentos odontológicos e estéticos.
As próximas teses são consignado de servidores estaduais e municipais e uma plataforma para antecipar recebíveis de cartão de lojistas. O mercado é grande: segundo a Anbima, os FIDCs somavam R$ 801,4 bilhões em patrimônio em agosto, quase o triplo do fim de 2021, e o número de fundos passou de 1.544 para 4.282 no período.
“Com a vinda do Urbano e do time dele, completamos uma carência que tínhamos: um time de gestão de crédito estruturado multiestratégia.”
Leandro Bousquet, CEO da XP Asset
“Ao fazer a gestão, a gente tem condição de fazer uma curadoria do investimento muito melhor, porque tem informação passando por aqui”, afirmou Urbano ao NeoFeed. Bousquet disse que novas aquisições não estão descartadas e que o mais provável é comprar competências que faltam em áreas onde a gestora já atua.
Por que importa. Quando a gestora do grupo XP monta um time próprio de gestão de FIDCs, sobra dinheiro procurando boa originação de crédito. Fintech que origina bem, com dado e cobrança organizados, vira fornecedora disputada desses fundos.
Fonte: NeoFeed. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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