Plataforma de fundos da XP chega a R$ 500 bilhões em custódia, cinco vezes o que tinha há sete anos
Crescimento anual foi de 26%, ante 12% da indústria; renda fixa, crédito privado e alternativos tomaram o espaço de ações e multimercados

Foto: XP/Divulgação (CC BY-SA 3.0)
A plataforma de fundos da XP atingiu R$ 500 bilhões em custódia, sete anos depois de ter marcado R$ 100 bilhões, segundo informou nesta quinta-feira (15) Gustavo Pires, sócio da XP, ao Pipeline, do Valor. O crescimento anual ponderado no período foi de 26%, contra 12% da indústria de fundos.
Cerca de 20% do volume distribuído está na XP Asset, gestora do próprio grupo, e o restante vem de fundos de terceiros. Quase 80% do dinheiro é de investidor pessoa física. “A gente opera na proporção de 80-20 entre fundos de terceiros e próprios, que é o oposto do mercado, onde há casas com até 95% de produtos próprios”, disse Pires.
A XP distribui hoje mais de 200 gestoras, número parecido com o de 2019, mas com outros nomes. Enquanto dezenas de casas de ações e multimercados fecharam ou encolheram, gestoras pouco conhecidas há quatro ou cinco anos, como Valora e Sparta, somam hoje cerca de R$ 30 bilhões sob gestão. Pires chama o movimento de “darwinismo” e diz que ganhou espaço o gestor-empresário, que amplia a grade de produtos, diversifica canais e reparte participação por mérito.
A composição da custódia mudou. Em setembro de 2019, ações e multimercados somavam 38%; hoje são 10%. Alternativos foram de 16% para 28%, e renda fixa e crédito privado, de 24% para 31%. Previdência ficou em 19%. Os ETFs passaram de 1% para 4%, com a maior taxa de crescimento anual, de 51%.
“A gente opera na proporção de 80-20 entre fundos de terceiros e próprios, que é o oposto do mercado”
Gustavo Pires, sócio da XP
Pires atribui a virada à alta dos juros e diz que o investidor passou a mandar mais na relação, o que obrigou gestoras a buscar novas categorias, como fizeram as americanas Blackstone, KKR e Apollo. Para ele, com a queda dos juros, a renda variável pode voltar a atrair os investidores: “Há uma mola comprida nessa categoria”.
Por que importa. R$ 500 bilhões passaram por uma plataforma que vive de distribuir produto dos outros, e a fatia que mais cresceu foi crédito privado e alternativos. Para quem tem ou quer ter fintech, a oportunidade está nos dois lados: originar crédito que vira FIDC e debênture para abastecer essas prateleiras, ou montar a sua própria vitrine de investimentos e ganhar comissão sobre cada real aplicado.
Fonte: Pipeline (Valor). Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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