Zera leva R$ 2 bilhões do mercado de capitais ao agro via FIDCs e Fiagros e vai gerir os próprios fundos a partir de 2027
Casa de crédito estruturado de Octaciano Neto, Amanda Coura e Francisco Jardim já liquidou mais de R$ 1,2 bilhão em FIDCs para C.Vale, Primato, Seara e BRF, com Suno e XP

A Zera, casa de crédito estruturado voltada ao agronegócio, já viabilizou mais de R$ 2 bilhões para cooperativas, indústrias e revendas do setor em menos de dois anos de operação e pretende, a partir de 2027, passar a gerir os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) e Fiagros que estrutura, segundo reportagem do Economia Capixaba publicada nesta segunda-feira (19) e repercutida pelo FIDC News.
A empresa tem três sócios-fundadores: Octaciano Neto, Amanda Coura e Francisco Jardim, da SP Ventures. Octaciano foi secretário de Agricultura do Espírito Santo entre 2015 e 2018, dirigiu a área de agronegócio da EloGroup entre 2020 e 2022 e liderou a vertical de agro do Grupo Suno entre 2022 e 2024.
Em 2025, a Zera liquidou FIDCs para C.Vale, Primato, Seara e BRF que somam mais de R$ 1,2 bilhão, em parceria com as gestoras Suno e XP. Também estruturou, com o governo do Paraná e a Fomento Paraná, um programa de Fiagro estatal que combina recursos públicos e privados e limita a exposição a 3% por devedor em cada fundo. No Espírito Santo, prestou consultoria para a Cooabriel, cooperativa de café conilon de São Gabriel da Palha que fatura R$ 3 bilhões, e para a Lasa, de Linhares.
Para as gestoras, a Zera troca o modelo de crédito corporativo genérico por uma análise feita cultura a cultura, com três variáveis: o calendário da safra, a exposição ao clima e a correlação com o preço da commodity. A equipe visita todos os clientes antes de levar uma operação adiante. “O agro é um setor de olho no olho. Muita coisa que define o risco não aparece numa planilha”, disse Amanda Coura.
“Nos próximos cinco anos, o mercado de capitais será o principal financiador do agronegócio brasileiro.”
Octaciano Neto, sócio-fundador da Zera
Antes de cada operação, a casa faz um diagnóstico financeiro e de governança do tomador. “O setor cresceu e virou referência em produtividade olhando para dentro da porteira, mas faltou repertório de números, processos e comitês. Quando chega a hora de acessar o mercado de capitais, essa governança faz toda a diferença”, afirmou Octaciano. Com a Agroadvance, a Zera promove o Dinheiro no Agro, imersão sobre mercado de capitais para produtores, executivos e sucessores, que chegou à terceira edição em 2026.
“Nos próximos cinco anos, o mercado de capitais será o principal financiador do agronegócio brasileiro”, disse Octaciano Neto.
Por que importa. O crédito rural está saindo do dinheiro público para FIDCs e Fiagros, e quem sabe traduzir uma cooperativa para a linguagem do investidor cobra para estruturar e, depois, para gerir. Uma fintech que organize dados de safra, clima e preço de cada tomador do agro vira a ponte que o mercado de capitais ainda não tem.
Fonte: FIDC News, a partir do Economia Capixaba. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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