Com Open Finance da Belvo, fintech Aro corta pela metade a inadimplência da primeira parcela
Plataforma de crédito para quem fica fora dos bancos tornou obrigatória a conexão da conta bancária na entrada; perda em novas safras teria caído de mais de 40% para um dígito, segundo a empresa

Divulgação/Aro
A Aro, plataforma de crédito voltada a quem fica de fora dos bancos tradicionais, reduziu a inadimplência da primeira parcela para menos da metade do patamar de janeiro depois de tornar obrigatória a conexão via Open Finance para todo cliente novo. Os dados bancários vêm da Belvo, plataforma de dados e pagamentos via Open Finance que atua no Brasil e no México. O caso foi publicado pela Belvo em 30 de setembro e divulgado à imprensa nesta semana.
A mudança aconteceu em nove meses. A conexão com a conta bancária passou a alimentar as regras de antifraude e a primeira avaliação de risco, e depois foi incorporada ao score interno, que combina o histórico do extrato (como o dinheiro entra e sai, a regularidade das movimentações e o pagamento das contas) com os dados de bureau. O cliente conecta o banco no próprio chat com a Wendy, a assistente de IA da Aro, e recebe a resposta em segundos.
Segundo a Belvo, além da inadimplência de primeira parcela, a taxa de conversão ficou entre 80% e 90%, o CAC de crédito caiu dez vezes desde o início do ano e a Aro construiu oito modelos proprietários de decisão. O release da agência acrescenta que a perda em novas safras passou de mais de 40% para um único dígito, com aprovação estável, e que a fraude deixou de ser um problema relevante no funil; esses dois pontos não aparecem no estudo de caso público e não foram confirmados de forma independente.
“Para o cliente, o Open Finance mudou a ordem da conversa. Antes de qualquer oferta, ele conecta a conta no próprio chat com a Wendy, nossa especialista de IA, e em segundos recebe uma resposta baseada na vida financeira que ele de fato leva”, diz Roberto Chaves, head de risco de crédito da Aro. Para Leandro Piano, CFO e country manager da Belvo no Brasil, o caso mostra o Open Finance deixando de ser fonte adicional de dados para virar parte efetiva da decisão de crédito, especialmente para consumidores mal representados pelos modelos tradicionais.
“Gente sem contracheque, de renda irregular, que no bureau aparece como uma foto quase sempre desfocada”
Roberto Chaves, head de risco de crédito da Aro
Fundada em 2024 por Pedro Milanez, primeiro funcionário do Nubank, e Yuri Mannes, a Aro saiu do modo stealth em abril com US$ 2,5 milhões e funciona como buscador de crédito: pesquisa ofertas entre mais de 40 parceiros regulados e ganha comissão na distribuição, segundo a PEGN. Em agosto, a empresa dizia ter cerca de 700 mil usuários cadastrados e ter atingido US$ 1 milhão de receita recorrente anual em julho. O contexto é de inadimplência alta: a Serasa contou 83,98 milhões de brasileiros negativados em agosto.
Por que importa. Quem consegue ler o extrato de quem não tem contracheque empresta para um público que os bancos recusam, e ganha comissão ou spread nisso. Com Open Finance, a fintech de crédito não precisa de base própria de dados para começar: precisa de um bom modelo em cima do extrato que o cliente já autoriza compartilhar.
Fonte: Belvo (estudo de caso) e release da VCRP. Texto reescrito pela Redação Mundo das Fintechs.
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